A ARK Invest afirmou que o mercado de ativos digitais pode alcançar US$ 28 trilhões até 2030, impulsionado principalmente pela adoção institucional via ETFs e balanços corporativos. A projeção surge em um momento em que o Bitcoin é negociado a US$ 47.800, com alta de 3,2% nas últimas 24h e avanço de 11,6% em 7 dias. O pano de fundo macro é a retomada do apetite institucional em 2026, após meses de consolidação do mercado.
Nos primeiros dois dias de janeiro, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram entradas superiores a US$ 1,2 bilhão, sinalizando uma mudança clara no fluxo de capital. Esse movimento ajuda a explicar por que o BTC voltou a testar resistências importantes mesmo com juros globais ainda elevados. Para investidores brasileiros, o dado reforça que a dinâmica de preços está cada vez mais ligada a decisões institucionais, não apenas ao varejo.
O que está por trás da projeção da ARK?
A estimativa de US$ 28 trilhões considera Bitcoin, Ethereum, stablecoins, DeFi e tokenização de ativos tradicionais. Segundo a gestora, o principal vetor é a adoção institucional acelerada, que transforma o cripto em uma classe de ativo integrada ao sistema financeiro. Em termos práticos, isso significa mais demanda estrutural e menor dependência de ciclos puramente especulativos.
Até 12 de janeiro de 2026, os ETFs de Bitcoin acumulavam US$ 56,52 bilhões em entradas líquidas, segundo dados de mercado. Esses veículos já representam cerca de 12,2% da oferta total de BTC, um número relevante porque reduz o supply líquido disponível em exchanges — fator historicamente positivo para o preço.
Demanda institucional já impacta preço e oferta
No gráfico diário, o Bitcoin opera acima das médias móveis de 50 e 200 dias, atualmente em US$ 45.200 e US$ 42.900, respectivamente. O RSI está em 61 pontos, indicando momentum positivo sem entrar em sobrecompra, enquanto o MACD segue acima da linha de sinal. Tecnicamente, o suporte imediato está em US$ 46.500, com resistência clara em US$ 49.800.
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Do lado on-chain, o supply de BTC em exchanges caiu para 11,3% da oferta circulante, mínima de dois anos. Ao mesmo tempo, a MicroStrategy adicionou 13.267 BTC no início de 2026, reforçando a tese de tesourarias corporativas como compradores estruturais. Esse comportamento se conecta ao crescente apetite institucional cripto observado globalmente.
Como isso afeta investidores brasileiros?
No Brasil, o Banco Central implementará novas regras para VASPs a partir de fevereiro de 2026, exigindo autorização formal e maior transparência, segundo reportagem do Finance Yahoo. A leitura do mercado é que regras mais claras tendem a atrair capital institucional local, aproximando o Brasil do padrão observado nos EUA. Para o investidor pessoa física, isso pode significar mais segurança, mas também menor assimetria de informação.
Quais são os riscos dessa narrativa?
A projeção da ARK pressupõe crescimento contínuo da demanda institucional e estabilidade regulatória global. Qualquer reversão nos fluxos de ETFs ou mudanças regulatórias mais duras pode gerar volatilidade significativa no curto prazo. Além disso, o mercado cripto ainda é altamente sensível a condições macro, como política monetária e liquidez global.
Em síntese, a meta de US$ 28 trilhões até 2030 é ambiciosa, mas encontra respaldo em dados concretos de fluxo, oferta e adoção. Para investidores brasileiros, o recado é claro: entender métricas institucionais e regulatórias tornou-se tão importante quanto acompanhar gráficos de preço. O mercado segue oferecendo oportunidades, mas exige análise cada vez mais disciplinada.

