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Ameaça quântica ao Bitcoin é real, mas não existencial, diz Galaxy

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A Galaxy Digital, gigante de investimentos em ativos digitais, entrou no debate mais acalorado da criptografia moderna para responder a um medo crescente: a computação quântica matará o Bitcoin? Com o Bitcoin (BTC) sendo negociado na faixa de US$ 69.849 (aproximadamente R$ 405.100), investidores institucionais e de varejo têm questionado se a segurança da rede pode resistir a máquinas capazes de quebrar a criptografia atual.

Segundo Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy, a ameaça é tecnicamente legítima, mas a narrativa de uma crise existencial iminente é exagerada. Embora a computação quântica possua, em teoria, o poder de derivar chaves privadas a partir de chaves públicas expostas, o ecossistema já mobiliza defesas robustas. A pergunta que domina as mesas de operação é clara: devemos tratar o risco quântico como um apocalipse inevitável ou como mais um desafio de engenharia que será superado?

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O que a Galaxy Digital explica sobre a ameaça?

Em termos simples, imagine que o Bitcoin é uma fortaleza medieval protegida por muros de pedra extremamente espessos. A computação clássica (os computadores que usamos hoje) é como tentar derrubar esses muros com martelos comuns — levaria milhões de anos. A computação quântica, por outro lado, é teoricamente comparável ao desenvolvimento de um canhão de pólvora: uma tecnologia capaz de ignorar a resistência da pedra e derrubar o muro rapidamente.

No entanto, o relatório da Galaxy destaca que esse “canhão” ainda está em estágios primitivos de prototipagem; ele não aparecerá no campo de batalha amanhã de manhã. Mais importante ainda: os arquitetos da fortaleza (os desenvolvedores do Bitcoin) já sabem que o canhão está sendo inventado e estão, neste exato momento, projetando um novo tipo de blindagem de aço (criptografia pós-quântica) para revestir os muros antes que a arma esteja pronta. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre a visão da Ark Invest sobre o tema, o protocolo não é um alvo estático; ele evolui em resposta às ameaças.

Quais são os pontos centrais do relatório?

A análise da Galaxy, corroborada por dados da firma de segurança Project Eleven, desmonta o pânico generalizado e foca nos vetores reais de ataque. Os principais destaques são:

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  • VULNERABILIDADE ESPECÍFICA: 7 milhões de BTC — ‘O Alvo Estático’
    A análise revela que aproximadamente 7 milhões de bitcoins (cerca de US$ 470 bilhões ou R$ 2,7 trilhões) estão tecnicamente vulneráveis sob uma definição de “longa exposição”. Isso ocorre porque suas chaves públicas já foram reveladas na blockchain — situação comum em endereços antigos (P2PK) ou quando usuários reutilizam endereços para múltiplas transações. Para o restante da rede, onde as chaves públicas permanecem ocultas até o momento do gasto (graças a atualizações como o Taproot), a segurança permanece intacta contra os métodos quânticos conhecidos.
  • RESPOSTA TÉCNICA: Migração de Endereços — ‘A Rota de Fuga’
    O “risco quântico” não é um evento binário onde todo o Bitcoin morre instantaneamente. Alexander Thorn argumenta que a solução virá através de novos tipos de endereços resistentes a ataques quânticos. Desenvolvedores do Bitcoin Core já trabalham em propostas para introduzir assinaturas pós-quânticas. Assim como o mercado migrou de endereços Legacy para SegWit, haverá um período de transição onde usuários poderão mover seus fundos para esses novos “bunkers” criptográficos.
  • JANELA DE TEMPO: Ameaça monitorada — ‘O Horizonte Distante’
    A Galaxy reforça que a computação quântica exige milhões de qubits estáveis para quebrar a criptografia do Bitcoin — uma capacidade que, segundo o relatório, ainda está anos ou décadas distante. O perigo é real, mas reconhecido, e as pessoas mais capacitadas do mundo para resolvê-lo estão ativas no problema. Conforme detalhamos em análise recente sobre a segurança do mercado, até outras redes como o Ethereum também buscam adaptação, mostrando que este é um esforço de toda a indústria.

O consenso institucional é que o Bitcoin enfrentará um “hard fork” consensual no futuro para implementar essas defesas, um processo que historicamente fortalece a rede ao remover incertezas.

Riscos e o que observar

Embora o apocalipse não seja iminente, o investidor atento deve monitorar sinais específicos que indicariam uma aceleração desse risco. A Galaxy e especialistas de segurança sugerem atenção aos seguintes gatilhos:

  • Padronização do NIST: Acompanhe os anúncios do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), previstos para meados de 2026, sobre os algoritmos oficiais de criptografia pós-quântica. Isso ditará o padrão que o Bitcoin provavelmente adotará.
  • Avanços em Qubits Lógicos: Manchetes sobre “supremacia quântica” comumente referem-se a tarefas específicas sem utilidade para quebrar criptografia. O sinal de perigo real seria o desenvolvimento de milhares de “qubits lógicos” estáveis e com correção de erro.
  • Movimentação de ‘Satoshi Coins’: Um canário na mina seria a movimentação súbita de moedas da Era Satoshi (2009-2010), que residem em endereços P2PK vulneráveis. Se essas moedas começarem a se mover sem explicação, o mercado reagirá preventivamente.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, a mensagem da Galaxy serve como um antídoto contra o FUD (Medo, Incerteza e Dúvida) que frequentemente circula em grupos de WhatsApp e redes sociais locais. O risco quântico é frequentemente usado como argumento sensacionalista para induzir vendas em momentos de pânico.

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A estratégia prática para quem acumula Bitcoin (HODL) no Brasil é simples: evite a reutilização de endereços — uma prática que expõe sua chave pública desnecessariamente — e mantenha-se informado sobre futuras atualizações da rede (soft forks). Não é necessário vender suas posições hoje por medo de uma tecnologia de 2035. O maior risco para o investidor local continua sendo a volatilidade de curto prazo e a alavancagem excessiva, não a física quântica. Para aqueles focados no longo prazo, analistas alertam que o mercado recompensa a convicção fundamentada, não a reação a manchetes alarmistas.

Em resumo, o risco quântico é um desafio de infraestrutura conhecido e com soluções em desenvolvimento, não uma falha fatal oculta. O gatilho principal a ser observado nos próximos anos não é o preço do Bitcoin, mas sim a evolução dos algoritmos de assinatura digital propostos pelos desenvolvedores do Core. Até que a ciência force uma mudança de protocolo, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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