Um analista da Clear Street reduziu em 40% o preço-alvo das ações da Strategy (ex-MicroStrategy), apesar de manter recomendação de compra, segundo reportagem do TheStreet. O papel caiu 5,2% no pregão mais recente, fechando a US$ 157,33, enquanto o Bitcoin operava praticamente estável a US$ 90.599,03 nas últimas 24h. O movimento acontece em meio à migração institucional para ETFs spot de Bitcoin, que vêm drenando demanda por proxies alavancados ao BTC.
Desde julho de 2025, as ações da Strategy acumulam queda de 66%, contra recuo de cerca de 18% do Bitcoin no mesmo período. A divergência reforça a percepção de risco adicional embutido no modelo da empresa, que combina exposição direta ao BTC com alavancagem financeira. Para investidores brasileiros, o episódio ilustra como ações ligadas a cripto podem amplificar perdas mesmo quando o ativo subjacente consolida.
O que está por trás do corte no preço-alvo?
A Clear Street cortou o preço-alvo da Strategy de US$ 443 para US$ 268, citando alta volatilidade, queda do Bitcoin e premissas mais conservadoras de juros. Atualmente, a empresa detém cerca de 687.000 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 62 bilhões, o equivalente a quase 3% do supply circulante. Essa concentração transforma a Strategy em um verdadeiro proxy de Bitcoin, mas com riscos adicionais de balanço.
Um indicador-chave é o mNAV, que compara o valor de mercado da empresa com o valor do Bitcoin por ação. Quando o mNAV fica acima de 1, a ação negocia com prêmio; abaixo disso, o mercado questiona a eficiência do veículo. Hoje, o mNAV da Strategy gira próximo de 1, sinalizando que o papel perdeu atratividade frente à compra direta de BTC ou ETFs.
ETFs spot mudam o jogo para investidores institucionais
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA já superam US$ 170 bilhões em ativos sob gestão, segundo dados do mercado, atraindo fluxos que antes iam para a Strategy. Apenas no terceiro trimestre de 2025, investidores institucionais reduziram cerca de US$ 5,4 bilhões em posições na empresa. O motivo é simples: ETFs oferecem exposição direta ao BTC com menor risco operacional e regulatório.
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Esse contexto ajuda a explicar por que o papel caiu quase 50% em três meses, enquanto o Bitcoin apenas consolidou. Para quem acompanha o mercado diariamente, vale comparar esse movimento com análises recentes sobre compras de Bitcoin pela Strategy e as perspectivas de preço do Bitcoin.
Quais são os riscos e oportunidades daqui para frente?
Um fator de risco relevante é a possível exclusão da Strategy de índices MSCI, o que poderia gerar saídas forçadas de até US$ 8,8 bilhões, segundo estimativas do JPMorgan. Por outro lado, a decisão recente do MSCI de adiar essa exclusão reduziu o risco imediato de vendas institucionais. Há ainda a possibilidade, considerada remota, de inclusão futura no S&P 500, o que criaria demanda adicional pelas ações.
Do ponto de vista técnico, o papel negocia abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, com RSI diário em torno de 38, indicando região de sobrevenda, mas sem sinal claro de reversão. O suporte imediato está em US$ 150, enquanto uma recuperação mais consistente exigiria romper a resistência em US$ 200.
Para investidores brasileiros, a lição é clara: a Strategy pode oferecer exposição alavancada ao Bitcoin, mas o custo dessa alavancagem aparece em momentos de estresse. Em um cenário em que ETFs spot ganham espaço, avaliar risco, liquidez e eficiência do veículo se torna tão importante quanto a direção do preço do BTC.

