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Bernstein identifica possível fundo para ações da Coinbase e Robinhood

Coinbase e Robinhood
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A Bernstein, reconhecida firma de pesquisa e corretagem institucional, emitiu nota a clientes nesta semana sinalizando que as ações de empresas ligadas ao ecossistema cripto – com destaque para Coinbase e Robinhood – podem estar se aproximando de um fundo cíclico, após um recuo de aproximadamente 60% em relação às máximas recentes. A Bernstein revisou sua meta de preço para a Coinbase (COIN) para US$ 330 (aproximadamente R$ 1.980 na cotação atual), reduzida ante o alvo anterior de US$ 440 (cerca de R$ 2.640), mas manteve a recomendação de outperform – equivalente a uma orientação de compra – para os dois papéis.

O contexto é de desconforto generalizado: volumes de negociação no primeiro trimestre ficaram abaixo do esperado, a incerteza regulatória nos Estados Unidos ainda pressiona o setor, e o sentimento de curto prazo pesa sobre as valuations de toda a cadeia de infraestrutura digital. A pergunta que domina as mesas de operação é clara: o pior já passou para as ações cripto, ou a fraqueza do primeiro trimestre ainda reserva surpresas negativas antes de uma eventual recuperação?

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O que explica essa movimentação?

A queda das ações ligadas ao setor cripto não aconteceu no vácuo. Desde o pico registrado no ciclo de alta que se estendeu pelo final de 2024 e início de 2025, uma combinação de fatores comprimiu as valuations de Coinbase, Robinhood e empresas adjacentes: volumes de spot trading em retração, taxa de juros americana ainda em patamar restritivo, e um ambiente regulatório que, apesar de mais favorável ao setor do que nos anos anteriores, ainda gera ruído suficiente para afastar capital especulativo. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre o cenário de saídas de capital institucional, os ETFs de Bitcoin e Ethereum registraram saídas superiores a US$ 500 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) em uma única semana, evidenciando a pressão sobre o sentimento institucional que também se reflete nos preços das ações do setor.

A Bernstein argumenta que essa queda foi excessiva em relação aos fundamentos reais das empresas. Os analistas da firma apontam que, enquanto o mercado precificava fraqueza de curto prazo, a base de receitas de Coinbase e Robinhood continuou se expandindo em segmentos como stablecoins, derivativos, mercados de previsão e ativos do mundo real tokenizados – todos com menor dependência dos ciclos de volume de trading à vista.

No caso específico da Coinbase, a firma projeta crescimento de receita a uma taxa composta anual de aproximadamente 26% até 2027, sustentada em grande parte pela participação da exchange na receita do USDC – a stablecoin emitida pela Circle -, da qual a Coinbase captura cerca de metade. Esse fluxo de receita recorrente funciona como um colchão contra a volatilidade dos preços do Bitcoin e do Ethereum, tornando o modelo de negócio mais resistente do que o mercado parece estar disposto a reconhecer no momento.

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Em termos simples: o Bernstein como o faroleiro do porto cripto

Para entender o que significa uma grande firma de análise “sinalizar um fundo”, imagine o porto de Santos em dia de ressaca. O mar está agitado, os navios batem de um lado para o outro, e os capitães mais inexperientes não sabem se é seguro entrar no canal. É exatamente nesse momento que o faroleiro do porto – alguém com décadas de experiência lendo as marés, os ventos e o comportamento das correntes – acende uma luz específica e diz: “a tempestade está passando; daqui a alguns dias o canal estará navegável.”

A Bernstein exerce esse papel para o capital institucional. Quando a firma emite uma nota dizendo que as ações de Coinbase e Robinhood estão “muito baratas em relação ao seu valor intrínseco” e que um fundo está se formando antes dos resultados do primeiro trimestre, ela não está garantindo que o preço não vai cair mais alguns pontos. Ela está dizendo que, na perspectiva de quem gerencia carteiras de bilhões de dólares, o risco de ficar de fora começa a superar o risco de entrar cedo demais.

Para o investidor de varejo, essa sinalização funciona como o aviso do faroleiro: não significa que o mar está calmo agora, mas que o capital paciente que entrar nesse porto tem grande chance de encontrar águas tranquilas nos próximos trimestres. O erro clássico – e que o faroleiro não comete – é confundir o momento de volatilidade com o fim da viagem. A fraqueza do primeiro trimestre, nesse cenário, é a última onda da tempestade, não o começo de um novo ciclone.

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Quais são os dados e fundamentos destacados?

  • Meta de preço Coinbase: US$ 330 (cerca de R$ 1.980) – “O Alvo Revisado”: A Bernstein reduziu o preço-alvo de US$ 440 (R$ 2.640) para US$ 330 (R$ 1.980), mas manteve recomendação de outperform, sinalizando que a revisão reflete cautela de curto prazo – não mudança de tese de longo prazo.
  • Meta de preço Robinhood: US$ 130 (cerca de R$ 780) – “O Desconto de Curto Prazo”: A meta anterior era de US$ 160 (R$ 960); a ação negocia atualmente próxima a US$ 74,74 (R$ 448), o que representa um upside implícito de aproximadamente 74% em relação ao novo alvo da Bernstein – desconto considerado excessivo pela firma.
  • Recuo das ações cripto: 60% abaixo das máximas recentes – “A Sangria Institucional”: Toda a categoria de ações ligadas à infraestrutura digital acumulou perdas expressivas no período, criando o que a Bernstein classifica como uma oportunidade de valuation desconectada dos fundamentos operacionais reais.
  • CAGR de receita projetado para Coinbase: 26% ao ano até 2027 – “O Motor Oculto”: A projeção considera o crescimento acelerado em receitas de stablecoins, derivativos e produtos de assinatura – segmentos que não dependem diretamente dos volumes de trading à vista e funcionam como estabilizadores no modelo de receita.
  • Participação da Coinbase na receita do USDC: ~50% – “A Renda Fixa Cripto”: A Coinbase captura aproximadamente metade das receitas geradas pela Circle com o USDC, criando uma linha de receita recorrente que a Bernstein compara a um portfólio de renda fixa dentro de um negócio de renda variável.

Em conjunto, esses números pintam um quadro em que o mercado está punindo as ações pelo fraco desempenho de curto prazo enquanto ignora a expansão estrutural das linhas de receita não-cíclicas – exatamente o tipo de divergência que atrai capital institucional com horizonte de médio prazo.

O que muda na estrutura do mercado?

A nota da Bernstein tem implicações que vão além de Coinbase e Robinhood individualmente. Quando uma firma com a credibilidade e o alcance do Bernstein coloca uma etiqueta de “possível fundo” em toda a categoria de ações cripto, ela essencialmente convida gestoras de portfólio que estavam na margem a reconsiderar a alocação nesse segmento. Esse movimento – de reavaliação coletiva de uma classe de ativos por parte do dinheiro inteligente – costuma preceder ondas de compra que se materializam ao longo de semanas, não de dias.

O dado estrutural mais relevante aqui é a diferenciação crescente dentro do próprio setor cripto. A Bernstein não está fazendo uma aposta genérica em “crypto vai subir”; ela está apontando para empresas específicas que construíram receitas recorrentes em stablecoins e derivativos – segmentos que crescem independentemente do preço do Bitcoin. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao discutir a expansão de produtos da Coinbase, a exchange lançou futuros perpétuos de ações de empresas como Apple e Tesla, diversificando o portfólio de produtos em um momento em que os volumes de spot trading estavam sob pressão – exatamente o tipo de movimento que sustenta a tese de crescimento da Bernstein.

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Para o mercado brasileiro, essa reconfiguração tem uma camada adicional de relevância: à medida que exchanges globais como Coinbase ampliam sua atuação em derivativos e ativos tokenizados, a competição com plataformas locais se intensifica, e o benchmark de qualidade para o ecossistema cripto doméstico sobe junto.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, a análise da Bernstein sobre Coinbase e Robinhood abre uma janela de oportunidade que exige planejamento cuidadoso – tanto do ponto de vista de acesso quanto fiscal. As ações da Coinbase (COIN) e da Robinhood (HOOD) são negociadas na Nasdaq e podem ser acessadas por brasileiros por meio de corretoras internacionais como Avenue, Nomad ou corretoras americanas com contas abertas diretamente nos EUA. Não há BDRs dessas empresas listados na B3 até o momento, o que significa que qualquer exposição exige um conta internacional e operação em dólares.

O câmbio entra como variável crítica nessa equação. Com o dólar negociando em patamar elevado frente ao real, o investidor brasileiro que comprar ações americanas agora paga um preço de entrada em BRL mais alto – mas também se beneficia duplamente se o dólar permanecer forte e as ações subirem em USD. O risco inverso também existe: uma valorização expressiva do real poderia erodir parte do ganho em USD quando convertido de volta para BRL.

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Do ponto de vista fiscal, é fundamental lembrar que, conforme a Lei 14.754/2023, os rendimentos obtidos por residentes fiscais brasileiros em aplicações financeiras no exterior – incluindo ganhos com ações listadas nos EUA – estão sujeitos à alíquota de 15% sobre o lucro, com recolhimento anual na declaração de Imposto de Renda. Não há isenção proporcional para valores abaixo de R$ 35 mil aplicável a ações no exterior como existe para a alienação de bens em território nacional – a tributação incide sobre o ganho total apurado no ano.

A estratégia recomendada para quem deseja exposição a esse tese é o DCA – aportes periódicos em valores fixos, independentemente do preço – em vez de tentar identificar o fundo exato. A Bernstein pode estar certa sobre o fundo, mas nenhum analista acerta o ponto mínimo com precisão cirúrgica. Evite alavancagem em qualquer hipótese: as ações cripto têm histórico de quedas adicionais de 20% a 30% mesmo após sinalização de fundo por analistas, e posições alavancadas podem ser liquidadas compulsoriamente antes de a tese se confirmar.

Riscos e o que observar

  • Fraqueza prolongada no Q1 – “O Trimestre Ingrato”: A própria Bernstein reconhece que a fraqueza de volume deve persistir durante os resultados do primeiro trimestre; se os números vierem abaixo do esperado e as empresas não sinalizarem recuperação para o segundo trimestre, o mercado pode interpretar como ruptura de tese, não confirmação de fundo.
  • Risco regulatório americano – “O Fantasma de Washington”: Mudanças nas regras sobre stablecoins, aprovação ou rejeição de novas categorias de derivativos cripto, ou qualquer sinalização negativa do SEC e do CFTC podem derrubar as ações antes que os fundamentos tenham chance de se manifestar nos preços.
  • Pressão cambial sobre o investidor brasileiro – “O Custo do Dólar”: Uma eventual valorização expressiva do real frente ao dólar reduziria o retorno em BRL mesmo que as ações subam em USD, tornando o timing cambial tão relevante quanto o timing de entrada nas ações.
  • Competição crescente no setor – “A Guerra das Plataformas”: Robinhood está integrando a Bitstamp – adquirida em 2024 – para ampliar sua atuação global em derivativos e staking; se essa integração apresentar atrasos ou custos acima do projetado, a tese de expansão de receita pode demorar mais para se materializar do que os analistas estimam.

O gatilho principal a observar nos próximos meses é a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025 por Coinbase e Robinhood – e, mais do que os números em si, a orientação prospectiva (guidance) que as empresas apresentarão para o segundo trimestre. Se a administração das duas companhias confirmar recuperação de volumes e crescimento nas linhas de receita recorrente, a tese da Bernstein ganha validação concreta de dentro das próprias empresas. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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