Grant Cardone, mogul do setor imobiliário e fundador da Cardone Capital, anunciou planos ambiciosos para tokenizar seu portfólio de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 28,5 bilhões na cotação atual) em imóveis utilizando tecnologia blockchain. O empresário buscou publicamente nas redes sociais qual rede seria a parceira ideal para a empreitada, citando nominalmente Solana, Polygon e Avalanche como candidatas para infraestrutura.
A iniciativa marca um dos maiores movimentos de integração entre o mercado imobiliário tradicional e os ativos digitais até o momento. A estratégia não apenas visa modernizar a gestão de ativos da empresa, mas também se alinha a uma tendência institucional mais ampla de tokenização de ativos do mundo real (RWA), similar à recente expansão de RWAs e ativos tokenizados observada entre grandes gestoras como a Galaxy Digital e Ondo Finance.
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, a proposta de Cardone é transformar edifícios inteiros e portfólios imobiliários complexos em milhões de “ações digitais” fracionadas, funcionando de maneira análoga a transformar uma barra de ouro sólida em milhares de moedas menores que podem circular livremente. Atualmente, investir em grandes empreendimentos imobiliários exige capital elevado e o dinheiro costuma ficar preso por anos; a tokenização visa criar um “mercado de ações” para esses imóveis, permitindo que investidores comprem e vendam suas participações instantaneamente, 24 horas por dia.
A lógica estratégica é resolver o problema histórico de iliquidez do mercado imobiliário. Ao colocar esses ativos em uma blockchain, a Cardone Capital pretende oferecer garantias (colaterais) mais eficientes e permitir um mercado secundário onde a saída do investimento não dependa da venda física do imóvel, mas sim da troca do token. Grandes players de infraestrutura já estão de olho nesse fluxo; recentemente, noticiamos como exchanges como Coinbase e Kraken estão avançando na tokenização para capturar exatamente esse tipo de volume institucional.
Além da eficiência, trata-se de uma jogada de marketing e captação. Cardone, que já integrou o Bitcoin ao tesouro de sua empresa em meados de 2025, busca atrair uma nova geração de investidores nativos digitais que preferem a transparência e a velocidade da blockchain aos processos burocráticos dos fundos imobiliários tradicionais.
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Quais são os dados e fundamentos destacados?
Conforme reportado pelo Yahoo Finance e detalhado nas comunicações recentes da empresa, a escala da operação é massiva e envolve múltiplos players tecnológicos.
- Volume do Portfólio: A Cardone Capital pretende tokenizar ativos avaliados em US$ 5 bilhões (R$ 28,5 bilhões), compostos majoritariamente por propriedades multifamiliares e comerciais nos EUA.
- Histórico de Distribuição: A firma destaca ter distribuído mais de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,85 bilhões) em fluxo de caixa aos investidores nos últimos 10 anos, um dado fundamental para atrair interesse para os tokens de rendimento.
- Candidatos à Infraestrutura: Além de Solana, Polygon e Avalanche, a busca por parceiros expandiu-se para incluir a Aptos e empresas especializadas em títulos digitais como a Securitize e a tZERO.
- Integração com Bitcoin: A empresa já possui 1.000 BTC em caixa, adquiridos em junho de 2025, e planeja usar o fluxo de caixa dos imóveis para acumular mais criptomoedas, criando um ciclo híbrido de ativos reais e digitais.
- Projeção de Mercado: O movimento antecipa uma tendência projetada pela Deloitte, que estima que o mercado de imóveis tokenizados pode atingir US$ 4 trilhões até 2035.
Riscos e o que observar
Apesar do otimismo, a tokenização imobiliária enfrenta desafios significativos, principalmente o risco de liquidez. Relatórios recentes da EY apontam que, embora a emissão de tokens seja fácil, criar um mercado secundário com volume suficiente para grandes saídas ainda é difícil. Se não houver compradores suficientes na ponta secundária, o token pode acabar sendo tão ilíquido quanto o imóvel físico.
Outro ponto crítico é o risco regulatório. A SEC nos Estados Unidos mantém uma postura rígida sobre o que constitui um valor mobiliário (security). A estrutura escolhida pela Cardone Capital precisará de conformidade total para evitar sanções que poderiam congelar os ativos.
O investidor deve monitorar o anúncio oficial da blockchain parceira e da plataforma de emissão (como Securitize ou tZERO) nos próximos meses, previstos para meados de 2026. Se a parceira escolhida for uma rede de alta liquidez e baixo custo como Solana ou uma Layer 2 consolidada, isso sinaliza uma aposta no varejo massivo; se a escolha recair sobre redes privadas ou permissionadas, o foco permanecerá estritamente institucional.

