O Bitcoin (BTC) amanheceu sob pressão renovada nesta quinta-feira, negociado na faixa de US$ 67.000 (aproximadamente R$ 388.600), após falhar em manter a recuperação recente até os US$ 70.000. O movimento de retração não é isolado: Ether (ETH), Solana (SOL) e XRP acompanham a queda, registrando perdas próximas a 2% nas últimas 24 horas. No entanto, enquanto as ‘majors’ sofrem, o capital especulativo encontrou um novo destino: tokens ligados à inteligência artificial e projetos com atualizações de governança específicas.
O mercado agora enfrenta um dilema clássico: estamos diante de uma reavaliação estrutural do preço das grandes criptomoedas ou de uma simples rotação de setor impulsionada pela narrativa de tecnologia?
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, o que estamos vendo é uma clássica rotação de capital motivada por narrativas externas. Quando o Bitcoin perde força e lateraliza, traders mais agressivos tendem a migrar lucros — ou ‘dinheiro quente’ — para setores com catalisadores de curto prazo mais explosivos. Neste momento, esse catalisador é o desempenho estelar da Nvidia no mercado de ações tradicional e os comentários otimistas de seu CEO, Jensen Huang, sobre o futuro da IA.
Essa dinâmica é comum em ciclos de alta volatilidade. Enquanto investidores institucionais ajustam suas posições em ativos de maior capitalização, o varejo busca retornos rápidos em altcoins. Esse comportamento já foi observado recentemente quando traders rotacionaram para altcoins enquanto o Bitcoin perdia seu ímpeto inicial de alta.
Além disso, o mercado projeta uma cautela macroeconômica. O ‘bouncing’ (repique) falho do Bitcoin sugere que a demanda spot (à vista) nos níveis atuais ainda não é suficiente para romper as resistências, levando o capital a buscar refúgio em narrativas de tecnologia e inovação, como a IA, em vez de reserva de valor puramente monetária.
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Quais são os dados e fundamentos destacados?
Enquanto o CoinDesk 20 Index (CD20) registra perdas, ativos específicos descolaram da tendência geral baseados em fundamentos próprios ou notícias do setor de tecnologia. Os destaques incluem:
- Decred (DCR): O token de governança subiu cerca de 16% nas últimas 24 horas, negociado a US$ 34,58 (aproximadamente R$ 200,50). O impulso vem de uma mudança nas regras de seu tesouro em 8 de fevereiro, acumulando alta de 80% em quatro semanas.
- Internet Computer (ICP): Registrou alta de 6%, atingindo US$ 2,56 (aproximadamente R$ 14,80). O movimento é impulsionado pela proposta da DFINITY Foundation de queimar 20% da receita de ‘cloud engine’, introduzindo um elemento deflacionário ao ativo.
- Setor de Inteligência Artificial: Tokens ligados a IA operam com prêmio de risco positivo após os lucros da Nvidia superarem as expectativas. Esse otimismo reflete um desenvolvimento concreto no setor, onde a infraestrutura blockchain começa a se integrar mais seriamente com agentes autônomos.
Em contraste, dados de derivativos mostram cautela nas majors. Segundo a Deribit, tesourarias corporativas e detentores de ETFs estão comprando opções de venda (puts) com exercício em US$ 60.000 para proteção nos próximos 6 a 12 meses, sinalizando medo de quedas mais profundas.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, o cenário exige atenção redobrada, especialmente para quem está exposto via ETFs na B3, como BITH11 ou SOLH11. A queda em dólar desses ativos, combinada a qualquer oscilação do câmbio, pode amplificar prejuízos no curto prazo. Como notado por analistas locais, os ETFs brasileiros já enfrentam semanas consecutivas de baixa, testando a paciência do investidor local.
Além disso, muitos dos tokens de IA que estão disparando lá fora possuem baixa liquidez ou nem sequer estão listados nas principais exchanges brasileiras. Isso obriga o investidor interessado nessa narrativa a recorrer a plataformas globais ou DEXs (exchanges descentralizadas), o que aumenta a complexidade tributária e o risco operacional.
A recomendação de especialistas, como Vikram Subburaj da Giottus, é evitar a tentação do FOMO (medo de ficar de fora) em topos. Para o brasileiro, a estratégia de aporte fracionado (DCA) continua sendo a melhor defesa contra a volatilidade, especialmente em um momento onde o apetite por risco oscila violentamente entre medo e ganância.
Riscos e o que observar
Apesar da euforia pontual com IA, o cenário macro para cripto ainda é frágil. A análise de fluxos institucionais indica que, embora haja interesse, ele ainda não é decisivo para sustentar uma nova pernada de alta imediata no Bitcoin. O risco principal é a correlação: se o Bitcoin perder suportes críticos, a liquidez dos tokens de IA tende a secar muito mais rápido do que a das majors.
Investidores devem monitorar de perto a análise técnica sobre a queda do Bitcoin, especificamente a reação do preço na zona de US$ 65.500. Perder esse nível pode invalidar a tese de rotação e iniciar uma correção mais ampla.
Em síntese, o momento é de observação. A proteção (hedge) via opções citada por grandes players sugere que o ‘dinheiro inteligente’ está mais preocupado em não perder do que ansioso para ganhar. Para o varejo, não tentar ‘segurar a faca caindo’ nos ativos principais enquanto se persegue velas verdes em altcoins voláteis pode ser a decisão mais sábia da semana.

