A Ethereum Foundation divulgou nesta semana um “strawmap” técnico — um roteiro preliminar — detalhando sete atualizações de rede (hard forks) projetadas até 2029. O documento delineia um caminho ambicioso para reduzir drasticamente os tempos de confirmação de blocos e implementar resistência à computação quântica. Em resposta à divulgação e ao sentimento otimista do mercado, o preço do Ether (ETH) reagiu positivamente, sendo negociado na faixa de US$ 2.000 (aproximadamente R$ 11.400 na cotação atual), sinalizando confiança institucional na visão de longo prazo do protocolo.
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, a Ethereum Foundation está tentando trocar o motor de um avião em pleno voo para torná-lo mais rápido e seguro contra ameaças futuras. O termo “strawmap”, utilizado pelo pesquisador Justin Drake, combina “strawman” (uma proposta inicial para debate) com “roadmap”, indicando que este é um plano de coordenação flexível, e não uma promessa imutável.
O objetivo central é resolver o “trilema do blockchain” — equilibrar segurança, descentralização e escalabilidade — ao longo desta década. Vitalik Buterin, cofundador da rede, classificou o arquivo como um “documento muito importante” para alinhar desenvolvedores e investidores. Recentemente, movimentações de grandes figuras do ecossistema, como transações de Vitalik Buterin envolvendo criptoativos, têm mantido os holofotes sobre a direção estratégica da fundação. Esse novo roteiro estende a visão técnica para além das discussões imediatas, oferecendo um horizonte de previsibilidade que faltava desde o “The Merge”.
Essa clareza é fundamental para o mercado. Como vimos em análises anteriores sobre o roadmap da Ethereum para 2026, a capacidade de execução dos desenvolvedores é o principal termômetro para a valorização do ativo a longo prazo.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
O plano identifica cinco “estrelas-guia” técnicas que orientarão o desenvolvimento, com destaque para a velocidade e a segurança pós-quântica. Segundo os dados apresentados por Justin Drake e compilados pelo The Block, os principais pilares incluem:
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- Fast L1 (Camada 1 Rápida): Redução progressiva do tempo dos slots (criação de blocos) dos atuais 12 segundos para 8, 6, 4 e, eventualmente, 2 segundos. Isso permitiria uma “finalidade” (confirmação irreversível) em instantes, competindo diretamente com sistemas de pagamentos tradicionais.
- Segurança Pós-Quântica: Implementação de criptografia baseada em hash para proteger a rede contra o eventual surgimento de computadores quânticos, garantindo que a camada base resista a ataques de força bruta futuristas.
- Escalabilidade “Gigagas” e “Teragas”: A meta é atingir 10.000 transações por segundo na camada base (L1) e até 10 milhões na camada 2 (L2). Isso é crucial para o crescimento de ecossistemas como o da Base, que já lidera rankings de L2 em setores como SocialFi e IA.
- Privacidade Nativa: Introdução de transferências “shielded” (protegidas) na camada base, oferecendo privacidade de primeira classe para transações de ETH sem depender exclusivamente de ferramentas externas.
O cronograma prevê a conclusão desses sete forks até 2029, embora o uso de Inteligência Artificial no desenvolvimento possa acelerar essas entregas.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, esse roadmap sinaliza que o Ethereum está se posicionando não apenas como uma plataforma de contratos inteligentes, mas como uma infraestrutura financeira robusta e rápida. A redução do tempo de confirmação é especialmente relevante em um país acostumado com a instantaneidade do Pix. Se o Ethereum conseguir oferecer finalidade em 2 segundos, ele se torna muito mais viável para pagamentos globais e liquidação de ativos reais tokenizados (RWA), um setor em crescimento na B3.
A previsibilidade técnica também favorece produtos de investimento locais. Detentores de ETFs de Ethereum listados na B3 (como os da QR Capital ou Hashdex) ou de BDRs podem ver a tese de investimento institucional se fortalecer à medida que a rede elimina riscos tecnológicos, como a ameaça quântica. Além disso, a melhoria na escalabilidade das L2 tende a reduzir taxas para quem opera diretamente em corretoras nacionais como Mercado Bitcoin e Foxbit, facilitando o acesso ao universo DeFi.
Riscos e o que observar
Apesar do otimismo, a execução de sete hard forks em cinco anos traz riscos operacionais significativos. Cada atualização complexa carrega a possibilidade de bugs críticos ou fragmentação da rede. Recentemente, a própria Ethereum Foundation alertou sobre riscos em contratos inteligentes, lembrando que a segurança deve preceder a velocidade.
Investidores devem monitorar as atualizações trimestrais do “strawmap” prometidas pela equipe de arquitetura da EF e o desempenho dos primeiros forks previstos para 2026, provisoriamente batizados de “Glamsterdam” e “Hegota”. O sucesso dessas implementações iniciais será o teste de fogo para a meta de 2029.

