Início » Últimas Notícias » Detentores venderam mais de 25.000 BTC em cotas de ETF de Bitcoin no trimestre

Detentores venderam mais de 25.000 BTC em cotas de ETF de Bitcoin no trimestre

Detentores venderam mais de 25.000 BTC em cotas de ETF de Bitcoin no trimestre
Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil

Os grandes investidores institucionais reduziram sua exposição ao mercado de criptomoedas no último trimestre de 2025, vendendo um total de 25.098 BTC em cotas de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Essa movimentação, liderada principalmente pela gestora Brevan Howard, representa uma retirada de capital significativa em um momento em que o Bitcoin (BTC) luta para manter o patamar de US$ 64.000 (aproximadamente R$ 371.000 na cotação atual), quase 50% abaixo de sua máxima histórica.

Os dados, revelados pelos relatórios trimestrais obrigatórios enviados à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), confirmam que o chamado “dinheiro inteligente” optou por realizar lucros ou reduzir riscos após o ativo atingir o pico de US$ 120.000. Embora o volume de venda pareça alarmante à primeira vista, analistas apontam que a liquidação foi concentrada em poucos atores, sugerindo mais um reajuste tático de portfólio do que um abandono generalizado da classe de ativos.

Publicidade

O que explica a movimentação atual?

A venda massiva de cotas de ETFs no quarto trimestre é explicada principalmente pela estratégia de grandes fundos de hedge. Nos Estados Unidos, investidores que gerenciam mais de US$ 100 milhões devem preencher o formulário 13F, detalhando suas posições trimestrais. Segundo o analista de ETFs da Bloomberg, James Seyffart, os dados confirmam que essa categoria de investidor foi vendedora líquida no período.

O principal motor dessa pressão vendedora foi a Brevan Howard, uma das maiores gestoras de macroeconomia global. A firma reduziu sua exposição em mais de 17.000 BTC, sendo responsável por grande parte do volume total de saídas. Esse tipo de movimento é comum entre gestores que utilizam estratégias de arbitragem ou que precisam rebalancear carteiras após grandes valorizações — um comportamento que historicamente atua como um catalisador institucional para correções de preço no curto prazo.

Em termos simples, o mercado está vendo a materialização da realização de lucros. Após o Bitcoin atingir máximas históricas acima de US$ 120.000, fundos institucionais aproveitaram a liquidez dos ETFs para garantir ganhos, devolvendo parte da oferta ao mercado. Isso criou um excesso de vendas que, combinado com o sentimento de medo extremo, ajudou a empurrar os preços para os níveis atuais.

🚀 Buscando a próxima moeda 100x?
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
PUBLICIDADE

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Apesar da manchete impactante sobre as vendas, os fundamentos revelam um cenário menos catastrófico do que os preços sugerem. A queda nas participações institucionais foi de apenas 3,5% no total, caindo de 532.000 BTC no terceiro trimestre para 513.000 BTC no final do ano. Isso indica que a maioria das instituições manteve suas posições, mesmo durante a queda vertiginosa de preço.

  • Venda Concentrada: Dos cerca de 25.000 BTC vendidos, a Brevan Howard sozinha foi responsável por cerca de 17.000 BTC, ou 68% do total. Sem essa única gestora, o saldo institucional teria sido muito mais estável.
  • Fluxo Recente: Os 12 ETFs de Bitcoin à vista registraram cinco semanas consecutivas de saídas líquidas (outflows), com perdas de aproximadamente US$ 316 milhões na semana encerrada em 20 de fevereiro.
  • Resiliência de Gigantes: Fundos como o IBIT da BlackRock e o FBTC da Fidelity continuam dominando os ativos sob gestão, e dados parciais indicam que, apesar das vendas de hedge funds, outras instituições continuam alocando capital.

Esse padrão de saída se assemelha a movimentos anteriores onde grandes fundos universitários ou corporativos ajustam posições, como visto anteriormente quando instituições como Harvard reduziram exposições pontuais sem decretar o fim do interesse na classe de ativos.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, os dados dos formúriarios 13F servem como um alerta sobre a volatilidade trazida pelos grandes players de Wall Street. Quando fundos como Brevan Howard decidem liquidar bilhões de reais em ativos, o impacto é sentido imediatamente na B3, onde ETFs como o IBIT39 e o BITH11 tendem a replicar a queda de preço do mercado global.

Publicidade

O cenário atual exige cautela, mas não pânico. O investidor local deve entender que boa parte da queda recente já reflete essa venda massiva que ocorreu no trimestre passado. Agora, o mercado tenta encontrar um piso de preço. Com o Bitcoin cotado a R$ 371.000, muitos investidores que compraram no topo (perto dos R$ 700.000 na máxima) estão com posições no prejuízo.

A estratégia recomendada por analistas para o momento é a manutenção do DCA (preço médio). Tentar antecipar o fundo exato do mercado — ou tentar “segurar a faca caindo” (catch the falling knife) — é arriscado. O fluxo de vendas institucionais mostra que o “dinheiro inteligente” realiza lucros agressivamente; o investidor de varejo deve focar no longo prazo e não operar alavancado contra essa tendência. Para quem opera no curto prazo, a análise técnica do preço do Bitcoin hoje é essencial para identificar suportes locais.

Riscos e o que observar

O principal risco no horizonte é a continuação das saídas líquidas nos ETFs nas próximas semanas. Se os resgates continuarem no ritmo atual, o suporte psicológico de US$ 60.000 (R$ 348.000) pode ser testado novamente. A perda desse nível poderia acelerar vendas automáticas de robôs de trading e posições alavancadas, aprofundando a correção.

Publicidade

Além disso, o investidor deve monitorar os próximos dados macroeconômicos e regulatórios. Com o mercado em zona de “medo extremo”, qualquer notícia negativa vinda da SEC ou do Federal Reserve pode ser o gatilho para mais volatilidade. A divulgação dos próximos formulários 13F em maio será crucial para confirmar se as baleias institucionais voltaram a acumular a preços mais baixos ou se continuam reduzindo a exposição.

Fique atento a eventos cruciais do calendário cripto, pois a correlação entre o mercado tradicional e o Bitcoin nunca foi tão alta, e os movimentos de Wall Street agora ditam o ritmo na Faria Lima.

Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil