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Empresa de Bitcoin de Anthony Pompliano recompra ações após queda de 85%

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A ProCap Financial, empresa de tesouraria de Bitcoin liderada pelo influente investidor Anthony Pompliano, iniciou uma agressiva recompra de suas próprias ações após os papéis sofrerem uma desvalorização de cerca de 85%. Com o mercado negociando a empresa bem abaixo do valor de seus ativos em criptomoedas, a gestão optou por intervir diretamente para corrigir o que considera uma distorção de preço.

Atualmente, as ações da empresa (indiciadas como BRR) estão sendo negociadas com um desconto significativo em relação ao seu valor patrimonial líquido (NAV). Com o Bitcoin (BTC) cotado na faixa de US$ 65.000 (aproximadamente R$ 377.000), a tesouraria da empresa vale consideravelmente mais do que sua capitalização de mercado, criando uma oportunidade de arbitragem que Pompliano descreveu como “comprar US$ 1,00 de nosso estoque por aproximadamente US$ 0,65”.

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O que explica a movimentação atual?

Em termos simples, uma recompra de ações (buyback) ocorre quando uma empresa usa seu próprio caixa para adquirir ações disponíveis no mercado, reduzindo a quantidade de papéis em circulação. No caso de uma empresa focada em tesouraria de Bitcoin, como a ProCap, isso sinaliza uma convicção dupla: de que o mercado está subvalorizando o negócio e de que o ativo subjacente (Bitcoin) continua sendo uma reserva de valor sólida a longo prazo.

A decisão reflete uma lógica financeira clara: se o valor das ações em bolsa é menor do que a soma dos Bitcoins que a empresa possui, comprar as próprias ações é matematicamente mais vantajoso para os acionistas do que comprar o Bitcoin diretamente no mercado spot. Essa tática de gestão de capital lembra movimentos observados em outras gigantes do setor, contextualizando estratégias corporativas de empresas expostas ao Bitcoin que buscam maximizar o retorno por ação mesmo durante correções severas de preço.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Os números revelam uma disparidade gritante entre o valor de mercado da ProCap e seus ativos tangíveis. A empresa, que nasceu de uma fusão SPAC (Cheque em Branco) e captou agressivamente Bitcoins nos últimos anos, agora enfrenta o desafio de manter sua paridade patrimonial.

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  • Participações em Bitcoin: A ProCap detém 5.007 BTC, avaliados em cerca de US$ 325 milhões (R$ 1,88 bilhão).
  • Valor de Mercado vs. NAV: Enquanto o valor patrimonial líquido (NAV) da empresa gira em torno de US$ 305 milhões, sua capitalização de mercado caiu para menos de US$ 202 milhões.
  • Preço da Ação: Os papéis fecharam recentemente a US$ 2,42 (aprox. R$ 14,00), uma queda de 76% nos últimos seis meses.
  • Volume da Recompra: A empresa já recomprou 148.241 ações, investindo cerca de US$ 359.000 na operação inicial.

Essa estratégia coloca a ProCap em um grupo seleto de empresas que utilizam o balanço para defender o valor do acionista, similar ao que a Metaplanet tem feito ao rebater críticas sobre sua estratégia no mercado asiático. Segundo dados de rastreamento de tesourarias, a ProCap mantém sua posição entre as maiores detentoras públicas de Bitcoin, logo atrás da Galaxy Digital.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, o movimento de Anthony Pompliano serve como um termômetro importante do sentimento institucional. Quando insiders e gestores experientes compram ativos com desconto agressivo, isso geralmente sugere que a “mão fraca” do mercado já vendeu suas posições, restando apenas os investidores de convicção.

Embora as ações da ProCap (BRR) não sejam negociadas diretamente na B3 via BDRs com alta liquidez, a situação ilustra a importância de monitorar o valor intrínseco dos ativos. Para quem opera via corretoras internacionais (como Avenue ou Inter Global), essas distorções podem representar oportunidades, mas exigem cautela. O cenário reforça a tese de que o mercado institucional continua acumulando, fornecendo um contexto institucional sobre movimentações estratégicas que muitas vezes precede recuperações de preço no par BTC/BRL. A recomendação padrão de fazer preço médio (DCA) segue válida para evitar a volatilidade de curto prazo.

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Riscos e o que observar

Apesar do sinal positivo de confiança interna, a estratégia não é isenta de riscos. O modelo de SPACs de tesouraria de Bitcoin tem sido questionado por especialistas, com alguns analistas apontando que a estrutura pode não funcionar tão bem em mercados de baixa prolongada. Se o preço do Bitcoin continuar caindo, o NAV da empresa diminuirá, o que pode reduzir a eficácia das recompras.

Além disso, diferentemente de empresas com operações de software robustas, a ProCap depende quase inteiramente da valorização do criptoativo. É uma situação que traz à tona questionamentos sobre sustentabilidade, análoga a quando analisamos se uma empresa como a Strategy sobrevive a testes de estresse em seu balanço. Investidores devem monitorar os relatórios do primeiro trimestre de 2026 para verificar se o desconto em relação ao NAV está diminuindo ou se o mercado continua cético quanto à estrutura da empresa.

Em síntese

A recompra de ações pela ProCap é uma tentativa clássica de arbitragem corporativa: comprar ativos de alta qualidade (Bitcoin, via ações próprias) por centavos de dólar. Para o mercado, é um sinal de que, apesar da queda de 85% no preço das ações, a gestão acredita que o pior já passou e que o ativo subjacente continua sólido.

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