O CEO da Metaplanet, Simon Gerovich, veio a público nesta sexta-feira para defender vigorosamente a estratégia de tesouraria da empresa japonesa, frequentemente chamada de “MicroStrategy da Ásia”. Enfrentando duras críticas online e um cenário de baixa no mercado, Gerovich rebateu acusações de falta de transparência após a empresa reportar um prejuízo líquido de 95 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 619 milhões ou R$ 3,5 bilhões). A defesa ocorre em um momento delicado, onde o ajuste no preço do Bitcoin pressiona balanços corporativos expostos ao ativo.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, a polêmica gira em torno da discrepância entre as perdas contábeis da empresa e sua saúde operacional real. A Metaplanet adota uma estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin, financiada em parte por dívida e venda de opções. Recentemente, a empresa foi alvo de críticas anonimas e ceticismo de analistas, como os da Benchmark Research, sugerindo que a gestão estaria ocultando detalhes de compras feitas a preços elevados.
Gerovich utilizou a rede social X para classificar as acusações de “divulgação desonesta” como factualmente incorretas. Ele ressaltou que, embora a identidade de certos credores seja mantida em sigilo por cláusulas de confidencialidade, os termos de colateral e os endereços das carteiras de Bitcoin da empresa são públicos. Para investidores que acompanham empresas que funcionam como “proxies” de Bitcoin, essa defesa ecoa argumentos de resiliência corporativa vistos em outros momentos do mercado, onde a estratégia de longo prazo é testada pela resiliência do balanço patrimonial diante de quedas bruscas.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
A defesa do CEO baseia-se na distinção entre perdas não realizadas (desvalorização do ativo mantido) e lucro operacional (dinheiro gerado pelo negócio). Apesar do prejuízo líquido massivo causado pela queda do Bitcoin desde seu pico de setembro de 2025, os fundamentos operacionais mostram outra história:
- Lucro Operacional: A empresa registrou um aumento de 1.695% ano a ano, atingindo 6,29 bilhões de ienes (aprox. US$ 41 milhões ou R$ 233 milhões).
- Estratégia de Opções: A venda de opções de venda (puts) permitiu à empresa acumular Bitcoin a preços efetivos mais baixos, gerando prêmios que compõem a receita.
- Queda do Bitcoin: O ativo caiu cerca de 40% desde o pico de US$ 114.000 em setembro de 2025 para a faixa atual de US$ 67.900 (aprox. R$ 387.000).
- Transparência: Gerovich reiterou que todos os endereços de Bitcoin da empresa estão disponíveis em um painel ao vivo para acionistas, permitindo auditoria em tempo real.
Essa volatilidade reflete um cenário mais amplo onde a entrada e saída de baleias e grandes players institucionais dita o ritmo dos preços, impactando diretamente o valor de mercado de empresas que detêm o ativo em tesouraria.
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Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, o caso da Metaplanet serve como um estudo de caso crucial sobre os riscos e recompensas de investir em empresas atreladas ao Bitcoin versus comprar o ativo diretamente. Com o Bitcoin cotado na casa dos R$ 387.000, a volatilidade do ativo subjacente pode causar estragos contábeis em empresas públicas, derrubando o preço de suas ações temporariamente, mesmo que o caixa operacional (geração de receita) esteja saudável.
Além disso, a situação destaca a importância da diversificação institucional. Enquanto empresas como a Metaplanet dobram a aposta no BTC, outras instituições ajustam suas carteiras buscando equilíbrio, um movimento similar ao observado quando fundos de pensão e universidades, como Harvard, ajustam exposições entre Bitcoin e Ethereum para mitigar riscos específicos de um único ativo.
Riscos e contrapontos no radar
Apesar do otimismo de Gerovich quanto ao longo prazo, o mercado permanece cauteloso. As ações da Metaplanet sofreram quedas recentes superiores a 20%, e a dependência de estratégias de derivativos para gerar rendimento adiciona uma camada de complexidade e risco. Instituições globais estão atentas a esse cenário de correção; recentemente, vimos movimentos onde grandes bancos como o Goldman Sachs reduziram exposição a produtos de Bitcoin, sinalizando que o apetite institucional pode oscilar rapidamente.
Investidores devem monitorar se a estratégia da Metaplanet de “acumular sistematicamente” se sustentará caso o inverno cripto se prolongue, conforme detalhado em relatórios recentes sobre a defesa da estratégia da empresa.

