O Bitcoin (BTC) enfrenta um teste decisivo de suporte, negociado próximo à zona de US$ 66.000 (aproximadamente R$ 382.000), reacendendo temores entre investidores de um novo “inverno cripto”. A recente desvalorização, que afastou o ativo de suas máximas históricas, expõe a forte correlação atual entre o preço da criptomoeda e os fluxos de capital institucional, especificamente através dos fundos negociados em bolsa (ETFs) nos Estados Unidos.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, a estrutura do mercado de criptomoedas mudou fundamentalmente. Diferente de ciclos anteriores impulsionados majoritariamente pelo varejo, o preço do Bitcoin agora responde diretamente à dinâmica de Wall Street. Uma análise recente da Binance classifica a queda de fevereiro de 2026 não como um pânico generalizado de mercado, mas como um “evento de liquidez impulsionado por ETFs”.
Quando grandes gestoras precisam reequilibrar portfólios ou estancar perdas, o impacto no livro de ofertas é imediato. A atual correção reflete um momento em que a resiliência dos ETFs de Bitcoin é testada durante quedas de 40% ou mais, demonstrando que a institucionalização trouxe tanto capital quanto novos riscos sistêmicos para o ativo.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
Os números por trás da queda desenham um cenário de pressão institucional. Dados da Amberdata revelam que cerca de 62% de todas as participações em ETFs de Bitcoin estão agora “no vermelho” (underwater), com um preço médio de custo base entre US$ 80.000 e US$ 85.000. Isso significa que a maioria dos investidores institucionais que entraram recentemente está amargando prejuízos não realizados.
Alguns pontos críticos dos dados on-chain incluem:
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- Saídas Recordes: O dia 29 de janeiro de 2026 registrou a maior saída diária da história dos ETFs, totalizando US$ 817,8 milhões negativos.
- Pressão na BlackRock: O fundo IBIT sofreu resgates de US$ 317,8 milhões em um único dia, configurando um cenário de volume recorde e capitulação momentânea de investidores.
- Mineração no Limite: Mineradores estão operando com custos cerca de 20% acima da receita atual, pressionando a venda de reservas para cobrir operações.
Apesar da retração agressiva no preço, é notável que o total de Bitcoins sob custódia dos ETFs caiu apenas cerca de 7% (de 1,37 milhão para 1,29 milhão de BTC). Isso indica que, embora instituições como o Goldman Sachs reduzam exposição a ETFs taticamente, a maioria dos grandes detentores está rebalanceando posições em vez de sair completamente do mercado.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor no Brasil, a situação exige cautela redobrada. A queda do ativo global em dólar afeta diretamente quem possui Bitcoin em carteira ou investe através de ETFs listados na B3 e BDRs (como o IBIT39). É importante notar que grandes gestoras, como a BlackRock, movimentam milhões em Bitcoin institucional diariamente, e essas ondas de liquidez ditam a tendência de curto prazo que chega às corretoras nacionais.
Na prática, o momento não favorece a alavancagem. O investidor local deve observar o preço em reais, mas manter os olhos nos fluxos dos EUA. Enquanto o “preço médio” institucional (zona de US$ 80 mil) não for recuperado, o mercado pode permanecer lateralizado ou volátil. A estratégia de custo médio (DCA) continua sendo a defesa mais prudente contra a tentativa arriscada de acertar o fundo exato do mercado.
Riscos e o que observar
O mercado ainda apresenta sinais mistos que merecem atenção. Pela primeira vez em 14 meses, a oferta de stablecoins sofreu contração, o que geralmente sinaliza menos liquidez nova entrando no ecossistema para compras especulativas. Além disso, segundo relatório da Amberdata, a saúde financeira dos mineradores é um risco latente; se a lucratividade não se recuperar, uma nova onda de vendas forçadas por parte dessas empresas pode testar suportes técnicos inferiores antes de qualquer reversão consistente.

