O Bitcoin (BTC) opera tentando encontrar estabilidade na sessão asiática desta sexta-feira, negociado em torno de US$ 66.400 (aproximadamente R$ 385.100), após enfrentar forte pressão de venda nos Estados Unidos. O ativo digital chegou a cair para US$ 65.079 em Nova York, reagindo a um alerta de cautela emitido pelo gigante bancário Standard Chartered, que revisou para baixo suas expectativas de curto prazo em meio a um cenário macroeconômico desafiador.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, o mercado está reagindo a um choque de realidade institucional. O Standard Chartered, conhecido por suas projeções otimistas, ajustou suas previsões citando saídas persistentes de capital dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA e dados econômicos norte-americanos mais fracos do que o esperado. O banco, que anteriormente projetava alvos ambiciosos, agora vê riscos de uma correção mais profunda antes de uma retomada de alta.
Geoff Kendrick, chefe de pesquisa de ativos digitais do banco, descreveu o movimento atual não como um colapso sistêmico, mas como um “reset” necessário, pressionado pela incerteza sobre a política monetária do Federal Reserve. Enquanto a inflação nos EUA desacelera e o mercado reavalia o Fed, a expectativa de juros altos por mais tempo — possivelmente até junho de 2026 — tem afugentado o capital de risco.
Apesar do tom de alerta do Standard Chartered, é importante notar que o sentimento institucional não é unânime. Enquanto alguns recuam, dados mostram que gestoras gigantes, como a BlackRock, movimentam milhões em Bitcoin e Ethereum, sugerindo uma estratégia de acumulação silenciosa por parte de grandes players que aproveitam a queda para se posicionar.
Quais níveis técnicos importam agora?
A análise técnica aponta para um momento delicado. Com o Bitcoin sendo negociado na faixa dos US$ 66.000, o mercado observa com atenção o suporte imediato em US$ 60.000, uma mínima de 16 semanas testada recentemente. A perda desse nível poderia abrir caminho para o cenário desenhado pelo Standard Chartered: um teste na zona psicológica de US$ 50.000 (cerca de R$ 290.000).
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Analistas ouvidos pelo U.Today destacam que essa região de US$ 50.000 serviria como um fundo técnico importante para limpar a alavancagem excessiva do mercado. Atualmente, o índice Fear & Greed (Medo e Ganância) atingiu níveis historicamente baixos de 8/100, indicando “Medo Extremo”.
Essa capitulação de preço, no entanto, vem acompanhada de dinâmicas intensas nas exchanges. Conforme observado anteriormente, períodos de queda acentuada costumam coincidir com entrada de baleias e disparada na volatilidade, o que pode gerar repiques rápidos de preço, conhecidos como “bull traps”, antes de uma estabilização definitiva.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, o cenário exige uma gestão de risco rigorosa. A desvalorização do Bitcoin em dólar reflete diretamente na cotação em reais, e a volatilidade do câmbio BRL/USD pode amplificar as perdas se não houver cautela. O momento não favorece a alavancagem, já que o mercado busca definir um fundo sólido.
É crucial lembrar que o Standard Chartered mantém uma visão de longo prazo construtiva. O banco, que também emite relatórios sobre altcoins, recentemente divulgou análises envolvendo o Standard Chartered, Solana e projeção para 2026 incluindo memecoins, demonstrando que sua atuação e interesse no setor cripto permanecem intactos apesar dos ajustes de curto prazo.
Segundo a Finbold, mesmo com o corte na meta, a instituição ainda vê o Bitcoin alcançando US$ 100.000 até o final de 2026, desde que a fase de capitulação atual se encerre nos próximos meses.
Em síntese
Em resumo, o Bitcoin atravessa um período de correção saudável, porém dolorosa, exacerbada por alertas de grandes bancos e um cenário macro nebuloso. O investidor deve monitorar de perto a defesa dos US$ 60.000 e o fluxo dos ETFs nos EUA. Embora a pressão vendedora persista na Ásia e no Ocidente, a tese de longo prazo segue viva, dependendo agora da estabilização dos dados econômicos globais.

