A Ondo Global Markets anunciou uma integração estratégica com a Chainlink para permitir o uso de ações norte-americanas tokenizadas como garantia em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi). No momento da redação, o token de governança da Ondo (ONDO) é negociado em torno de US$ 0,95 (aproximadamente R$ 5,50), enquanto a Chainlink (LINK) opera na faixa de US$ 16,50 (cerca de R$ 95,70), refletindo o otimismo do mercado com a convergência entre ativos tradicionais e a blockchain. Essa movimentação insere-se em um cenário macro onde a tokenização de Ativos do Mundo Real (RWA) ganha tração institucional.
O que está por trás dessa integração?
A parceria resolve um dos maiores gargalos do setor de RWA: a utilidade dos ativos. Até então, ações tokenizadas serviam majoritariamente como exposição passiva ao preço; o investidor comprava o token, mas não podia utilizá-lo para gerar rendimentos adicionais ou tomar empréstimos, diferentemente do mercado tradicional. A integração utiliza os oráculos da Chainlink para fornecer dados de preços com qualidade institucional, permitindo que contratos inteligentes leiam o valor real das ações de forma segura.
Esse movimento é parte de uma tendência global. Recentemente, vimos como a tokenização de ativos reais e projeções de crescimento do mercado têm atraído o interesse de grandes centros financeiros, validando a tese de que o futuro dos ativos tradicionais passa pela infraestrutura blockchain.
Na prática, isso transforma ações paradas em capital produtivo dentro do ecossistema Ethereum, começando pela plataforma de empréstimos Euler.
Como isso funciona na prática para o DeFi?
A Ondo introduziu feeds de dados para três ativos principais: SPYon (baseado no ETF S&P 500), QQQon (Nasdaq-100) e TSLAon (Tesla). Com a infraestrutura da Chainlink, esses tokens agora possuem precificação precisa on-chain, o que é fundamental para o gerenciamento de risco em protocolos de empréstimo. O funcionamento se dá da seguinte forma:
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- Colateralização: Usuários depositam as ações tokenizadas (ex: TSLAon) no protocolo Euler.
- Empréstimo: Com base no valor atualizado pelo oráculo, o usuário pode pegar empréstimos em stablecoins (como USDC).
- Liquidez: A Ondo conecta a liquidez diretamente aos mercados da Nasdaq e NYSE, garantindo execução eficiente.
Essa estrutura técnica segue a mesma lógica de outros projetos inovadores, como a iniciativa da Ripple na tokenização de ativos como diamantes, onde a representação digital precisa ter paridade confiável com o ativo físico. Além disso, a gestão de risco — incluindo limites de empréstimo e parâmetros de liquidação — será supervisionada pela Sentora.
A expansão do uso de colaterais é um tema recorrente. Grandes protocolos estão se adaptando, como visto quando a Aave Labs reafirmou seu foco em DeFi, destacando a necessidade constante de novos tipos de garantias para manter a liquidez do mercado saudável.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, essa novidade abre portas para estratégias de alavancagem dolarizada sem a necessidade de vender a posição principal em ações. Imagine possuir exposição à Tesla em dólares e poder usar esse ativo para tomar liquidez momentânea sem se desfazer das ações, tudo via blockchain, sem a burocracia bancária tradicional (embora sujeito às regras da plataforma).
Essa convergência entre o mercado financeiro tradicional e o cripto aproxima o investidor local de produtos sofisticados. É um passo similar ao observado na aproximação da Fireblocks com o DeFi institucional, indicando que a infraestrutura para grandes volumes está pronta.
No entanto, é crucial observar as taxas de câmbio. Operações envolvendo stablecoins e ativos em dólar exigem atenção à cotação USD/BRL, que impacta diretamente o custo do empréstimo e a margem de liquidação para quem opera do Brasil.
Riscos e o que observar
Apesar da inovação, o uso de ações tokenizadas como colateral carrega riscos específicos. A volatilidade do mercado de ações, somada à volatilidade das criptomoedas, pode acionar liquidações rápidas se o preço do ativo (como a TSLAon) cair abaixo do limite estabelecido pela Sentora. O investidor deve monitorar os níveis de Health Factor (fator de saúde) de seus empréstimos.
Segundo analistas citados pelo Bitcoin.com, a integração deve expandir para mais de 200 ações e ETFs em breve. O sucesso dessa fase inicial ditará o ritmo da adoção de RWA no DeFi ao longo de 2026.

