Arthur Hayes, cofundador da BitMEX e figura influente no mercado cripto, elevou o tom em um debate sobre a Hyperliquid (HYPE), transformando a discussão em uma aposta financeira de alto nível. Hayes colocou US$ 100.000 (aproximadamente R$ 580.000) na mesa, apostando que o token HYPE superará o desempenho de qualquer altcoin com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão durante um período específico em 2026. A aposta surge como resposta direta às críticas de Kyle Samani, da Multicoin Capital. No momento da proposta, o token HYPE era negociado acima de US$ 35 (cerca de R$ 203), acumulando um valor de mercado próximo a US$ 9 bilhões.
O que está por trás da aposta de Hayes?
A disputa pública começou quando Kyle Samani classificou a Hyperliquid como “tudo o que há de errado com cripto”, citando preocupações com o fato de o projeto ter código fechado e uma estrutura de distribuição permissionada. Em resposta, Hayes desafiou Samani para uma aposta de desempenho de preço, defendendo a tese de que a utilidade e a demanda pela exchange descentralizada (DEX) superarão as críticas estruturais.
Em termos simples, Hayes acredita que o mercado valorizará a eficiência da plataforma acima da descentralização purista defendida por Samani. A Hyperliquid tem expandido suas operações agressivamente, como detalhado na análise sobre Hyperliquid e HIP-3, buscando capturar fluxos de derivativos de ativos tradicionais (como commodities) on-chain, o que fundamenta a tese otimista do ex-CEO da BitMEX.
Os detalhes do desafio e análise técnica
Pela proposta de Hayes divulgada no X (antigo Twitter), o período de medição da aposta ocorrerá entre 10 de fevereiro e 31 de julho de 2026. O token HYPE precisará apresentar um desempenho superior (em dólares) a qualquer “shitcoin” — termo usado por ele — com capitalização de mercado acima de US$ 1 bilhão listada no CoinGecko. O perdedor deverá doar os US$ 100.000 para a caridade escolhida pelo vencedor.
Dados de mercado mostram que o HYPE subiu quase 22% em períodos recentes, impulsionado por uma concentração de ganhos em altcoins que demonstram utilidade real. Analistas, como Jon Charbonneau, reforçam que a Hyperliquid tenta competir com mercados tradicionais (TradFi) oferecendo spreads competitivos. Relatórios indicam que os contratos perpétuos de prata da plataforma já movimentam volumes significativos, competindo em execução com futuros da COMEX, embora a liquidez total ainda seja inferior à dos gigantes tradicionais.
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Impacto para o investidor brasileiro
Para o investidor brasileiro, essa aposta pública ressalta a alta volatilidade e o risco inerente ao mercado de altcoins atual. Embora o endosso de Hayes traga visibilidade institucional, movimentos baseados em euforia podem reverter rapidamente. Como observado historicamente quando uma semana ruim derruba Bitcoin e altcoins, ativos fora do top 5 tendem a sofrer correções muito mais severas em reais (BRL) do que em dólares.
Investidores locais devem ter cautela ao seguir “hypes” de influenciadores globais sem uma estratégia clara de gestão de risco. A aposta de Hayes envolve prazos longos e valores que, para ele, representam uma fração pequena do portfólio, uma realidade distante da maioria dos investidores de varejo no Brasil.
Riscos e o que observar
Até o momento, Samani não havia confirmado publicamente se aceitaria a aposta de US$ 100.000. O mercado deve monitorar a possível rotação de capital entre altcoins à medida que o prazo estipulado se aproxima em 2026. Além disso, as críticas sobre a centralização da Hyperliquid mantêm o risco regulatório no radar, algo que Hayes parece ignorar em favor da valorização de curto prazo, mas que é vital para a sustentabilidade do investimento a longo prazo.

