A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, registrou um prejuízo contábil histórico de US$ 12,6 bilhões no quarto trimestre após a forte correção do BTC. No período, o Bitcoin caiu de máximas próximas de US$ 100.000 para a faixa entre US$ 66.500 e US$ 88.000, pressionando o valor de mercado das mais de 400.000 moedas mantidas pela empresa. O movimento ocorre em um ambiente de menor apetite institucional, com saídas consistentes de ETFs e aumento da aversão ao risco global.
Nas últimas 24h, o Bitcoin oscilou próximo de US$ 67.200, com queda diária de 2,4% e recuo semanal acumulado de 16%. No Brasil, o BTC/BRL foi negociado a R$ 415.000 em 2 de fevereiro, contra R$ 444.000 no fim de janeiro, uma desvalorização de cerca de 6% que amplia o impacto para investidores locais expostos ao câmbio.
O cenário reforça a pressão sobre empresas altamente alavancadas em Bitcoin, como mostram as recentes apostas da Strategy em Bitcoin, feitas mesmo durante períodos de queda acentuada.
O que explica o prejuízo histórico da Strategy?
A perda de US$ 12,6 bilhões é majoritariamente não realizada, refletindo a queda do preço do Bitcoin no fechamento do trimestre. A Strategy adota o BTC como principal ativo de tesouraria desde 2020, financiando parte das compras com dívida, o que amplia a sensibilidade do balanço às oscilações de preço.
Do ponto de vista técnico, o BTC entrou em território de sobrevenda extrema. O RSI diário caiu para 18, nível raramente visto desde novembro de 2023 e comparável a períodos de estresse como o choque da COVID-19. Esse indicador sugere exaustão vendedora, mas não garante reversão imediata.
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
O MACD diário segue negativo, com a linha de sinal abaixo de zero, enquanto o preço permanece abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, hoje em torno de US$ 78.000 e US$ 84.500. Esses níveis agora funcionam como resistências-chave, enquanto o suporte mais próximo está em US$ 66.000.
Fluxos institucionais e pressão adicional no mercado
A correção do Bitcoin foi intensificada por saídas líquidas de ETFs spot. Em novembro de 2025, os resgates somaram US$ 3,48 bilhões, seguidos por US$ 1,09 bilhão em dezembro e mais US$ 278 milhões em janeiro de 2026. Menor demanda institucional reduz o colchão de liquidez em momentos de queda.
Esse movimento também se reflete no mercado acionário, com a ação da Strategy em queda e maior volatilidade em produtos derivativos ligados à empresa. Para investidores brasileiros, isso reforça a importância de diferenciar exposição direta ao BTC de riscos corporativos.
No on-chain, o supply de Bitcoin em exchanges subiu levemente nas últimas semanas, sinalizando aumento de moedas disponíveis para venda. Ao mesmo tempo, não houve crescimento relevante no hash rate, que permanece estável, indicando que mineradores não estão capitulando, mas também não ampliam investimentos.
O que isso significa para investidores de Bitcoin?
O prejuízo da Strategy evidencia o risco de concentração extrema em Bitcoin, especialmente quando combinado com dívida. Para traders, o RSI em 18 pode abrir espaço para repiques técnicos de curto prazo, mas a tendência de médio prazo segue fragilizada enquanto o preço não reconquistar US$ 78.000.
Para investidores brasileiros, a equação inclui o câmbio. Mesmo que o BTC estabilize em dólar, oscilações do real podem ampliar ganhos ou perdas, como visto na queda semanal de 6% do BTC/BRL. Avaliar posição, horizonte de tempo e gestão de risco torna-se essencial em um mercado ainda pressionado por saídas institucionais.
O caso da Strategy se soma a outros prejuízos no mercado de Bitcoin e serve como alerta: níveis de sobrevenda podem atrair compradores oportunistas, mas a volatilidade segue elevada e exige disciplina dos investidores.

