A Binance enfrenta nova onda de desconfiança após relatos de um flash crash em outubro de 2025, enquanto bilhões de dólares deixaram a plataforma nas últimas semanas. O movimento coincidiu com o Bitcoin caindo para US$ 88.400, queda de 3,2% em 24h e 38% abaixo do pico recente acima de US$ 140.000. O episódio ocorre em meio a um ambiente macro mais avesso a risco, com saídas recordes de ETFs e maior escrutínio regulatório global.
No acumulado de novembro de 2025, ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de US$ 3,48 bilhões, reduzindo o suporte institucional ao preço. O volume diário do BTC caiu para US$ 28 bilhões, abaixo da média de 30 dias de US$ 42 bilhões, sinalizando menor apetite especulativo. Para investidores brasileiros, o BTC/BRL segue volátil próximo de R$ 660 mil, pressionando decisões de alocação e custódia.
Esse contexto reforça o debate sobre riscos operacionais de grandes exchanges centralizadas, especialmente após movimentos recentes da Binance envolvendo o fundo SAFU. A questão central agora é se a migração de usuários pode afetar liquidez e spreads no curto prazo.
O que está por trás da saída bilionária da Binance?
Após o suposto flash crash, dados on-chain mostram retiradas líquidas superiores a US$ 4 bilhões em 30 dias, impulsionadas por FUD e preocupações regulatórias. Ainda assim, as reservas on-chain da Binance permanecem acima de US$ 95 bilhões, com proof-of-reserves indicando cobertura superior a 100% para BTC e ETH. Em termos simples, usuários estão movendo fundos, mas não há evidência de insolvência.
Essa dinâmica importa porque grandes saídas tendem a reduzir liquidez no livro de ordens, aumentando spreads e volatilidade. No Brasil, traders já relatam diferença de até 0,4% entre pares BTC/BRL em exchanges locais versus globais, o que impacta estratégias de arbitragem. Plataformas como Mercado Bitcoin ganham relevância em períodos de estresse.
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Como isso impacta o preço do Bitcoin?
Tecnicamente, o Bitcoin consolida abaixo da média móvel de 200 dias em US$ 92.100, um nível que agora atua como resistência. O RSI diário está em 41, indicando momento ainda fraco, enquanto o MACD segue negativo, embora com perda de força vendedora. O suporte imediato está entre US$ 85.000 e US$ 87.000; uma perda dessa faixa abre espaço para teste em US$ 78.000.
No on-chain, o supply de BTC em exchanges subiu 1,2% no mês, sinalizando maior disposição à venda. Baleias moveram cerca de 62.000 BTC para plataformas centralizadas desde dezembro, um dado que costuma preceder pressão de curto prazo. Em contrapartida, o hash rate permanece próximo do recorde em 620 EH/s, sugerindo confiança estrutural dos mineradores.
Risco sistêmico ou ruído de curto prazo?
O contra-argumento é que parte dessas saídas reflete diversificação saudável, não pânico. Concorrentes ganham espaço, como o avanço da Kraken no segmento institucional, enquanto a pressão regulatória sobre exchanges aumenta globalmente. Além disso, previsões de médio prazo para o BTC/BRL apontam média de R$ 737 mil em fevereiro de 2026, sugerindo expectativa de recuperação.
Para investidores brasileiros, o cenário pede gestão de risco: dividir custódia, observar liquidez local e respeitar níveis técnicos. Se o Bitcoin recuperar US$ 92.000 com volume acima de US$ 40 bilhões/dia, o viés melhora; abaixo de US$ 85.000, a cautela aumenta. Em mercados tensos, disciplina vale mais do que narrativa.
Externalmente, análises de preço alertam para riscos de queda adicional se suportes falharem (cenários técnicos de baixa) e projeções para fevereiro seguem divergentes (estimativas de curto prazo). O ponto comum é a volatilidade elevada.

