A Aave Labs anunciou que vai descontinuar a marca Avara e encerrar projetos não relacionados ao lending, como a carteira Family, consolidando todas as operações sob o nome Aave Labs. O token AAVE reagiu com leve alta de 0,74% nas últimas 24h, sendo negociado a US$ 98,40, com volume diário próximo de US$ 210 milhões. O movimento ocorre em meio a debates estruturais no DeFi sobre governança, controle de IP e captura de valor em protocolos maduros.
Nos últimos 7 dias, o AAVE acumula valorização de 3,2%, enquanto segue em queda de 18% no acumulado de 12 meses, refletindo o cenário ainda cauteloso para tokens DeFi. Para investidores brasileiros, a decisão sinaliza uma tentativa clara de reduzir ruídos estratégicos e fortalecer a proposta central do protocolo em um mercado cada vez mais competitivo.
Do ponto de vista técnico, o AAVE opera acima da média móvel de 50 dias, em US$ 95,10, enquanto a média de 200 dias segue mais distante, em US$ 112,30. O RSI diário marca 54 pontos, indicando zona neutra, sem sinais claros de sobrecompra ou sobrevenda, enquanto o MACD permanece levemente positivo, sugerindo consolidação no curto prazo.
O que muda com o fim da Avara?
Na prática, a Aave Labs simplifica sua estrutura de marca e elimina iniciativas que desviavam recursos do core business: o protocolo de empréstimos Aave, líder em crédito on-chain no Ethereum. Atualmente, o protocolo mantém cerca de US$ 25 bilhões em empréstimos ativos, representando uma fatia dominante do mercado DeFi de lending.
Essa reestruturação ocorre após a venda do protocolo social Lens e o início do encerramento dos projetos ligados à Family wallet. O reposicionamento reforça uma tendência já vista na expansão do DeFi institucional, em que players priorizam produtos com geração clara de receita e forte aderência on-chain.
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Aave e as tensões com a DAO
A decisão também reacende o debate sobre quem controla, de fato, o ecossistema Aave. Enquanto a Aave DAO, governada por detentores do token AAVE, administra contratos inteligentes, parâmetros de risco e receitas do protocolo, a Aave Labs detém ativos off-chain como a interface oficial, marcas e propriedade intelectual.
Esse conflito ficou evidente após a integração da CoW Swap no site oficial, que redirecionou taxas antes destinadas ao tesouro da DAO. Propostas mais agressivas, como a chamada “poison pill” para absorver ativos da empresa, não avançaram, em parte pela concentração de tokens nas mãos da própria Aave Labs e de seu fundador.
Como isso impacta investidores brasileiros?
Para o investidor brasileiro, o movimento reduz incertezas estratégicas no médio prazo, mas não elimina riscos de governança. Em termos on-chain, o supply de AAVE em exchanges permanece estável em torno de 36% do total circulante, sem sinais recentes de distribuição agressiva por grandes carteiras.
Se o foco no DeFi se traduzir em maior alinhamento entre empresa e DAO, o AAVE pode se beneficiar de uma narrativa semelhante à retomada de projetos DeFi observada em outros protocolos. Por outro lado, falhas em resolver essas tensões podem continuar limitando a reprecificação do token frente ao crescimento do DeFi on-chain.
No curto prazo, o suporte relevante do AAVE está em US$ 94,00, enquanto a resistência imediata aparece em US$ 102,50. Um rompimento consistente acima desse nível pode abrir espaço para buscar a região de US$ 110, mas a confirmação depende de volume e maior clareza na relação entre Aave Labs e a DAO.

