O mercado de criptomoedas reagiu nesta segunda-feira (3) após um fim de semana marcado por liquidações agressivas, com o Bitcoin sendo negociado a US$ 78.465, alta de 5,2% em 24h. O movimento puxou o valor total do mercado para US$ 2,7 trilhões, avanço de 2,8% no dia. Apesar do alívio, o pano de fundo segue cauteloso, com investidores ainda digerindo riscos macroeconômicos e volatilidade elevada.
Tokens de grande capitalização acompanharam a recuperação. O BNB subiu 5,3% para US$ 769, enquanto a Cardano avançou 7,2% para US$ 0,2975 e a Avalanche ganhou 5,3%, cotada a US$ 10,09. Ainda assim, o índice Crypto Fear & Greed permanece em 17 pontos, zona de medo extremo.
A estabilização ocorre após uma das piores ondas de liquidações no Bitcoin desde o fim de 2025, reforçando que o movimento atual é mais um respiro técnico do que uma reversão confirmada.
O que explica o respiro após o tombo?
Entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro, as liquidações superaram US$ 2 bilhões em múltiplas sessões, com pico de cerca de US$ 2,5 bilhões no dia 1º. A maior parte veio de posições compradas excessivamente alavancadas, que foram forçadas a fechar em cascata durante a baixa liquidez do fim de semana.
Esse fluxo perdeu força. Dados do CoinGlass mostram que as liquidações em 24h caíram 44%, para aproximadamente US$ 401 milhões. Com menos pressão vendedora automática, compradores de curto prazo e investidores de horizonte mais longo conseguiram entrar no mercado.
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O open interest total do mercado cripto também subiu 4%, para US$ 110 bilhões, sinalizando retorno gradual do apetite por risco. Para traders brasileiros, isso indica que a fase de desalavancagem mais aguda pode ter ficado para trás, ao menos no curto prazo.
Bitcoin testa níveis técnicos decisivos
Mesmo com a alta diária, o Bitcoin ainda acumula queda de cerca de 12% na semana e recuo de quase 40% em relação ao topo de outubro, próximo de US$ 126.000. No gráfico diário, o RSI subiu para a região de 38 pontos, deixando o território de sobrevenda, enquanto o MACD segue negativo, porém com perda de inclinação, sinal de enfraquecimento do momentum vendedor.
Os suportes mais relevantes estão na faixa entre US$ 71.000 e US$ 74.000, região que coincide com o nível de Fibonacci de 0,618. Abaixo disso, o próximo suporte aparece apenas em US$ 64.000. Do lado superior, as resistências imediatas estão em US$ 82.000 e US$ 91.000, patamares que precisam ser rompidos para validar uma recuperação mais consistente.
No campo institucional, um ponto positivo é a desaceleração das saídas dos ETFs spot de Bitcoin. Em janeiro de 2026, os fluxos negativos somaram apenas US$ 278 milhões, bem abaixo dos US$ 1,09 bilhão de dezembro e dos US$ 3,48 bilhões de novembro, sugerindo menor pressão vendedora estrutural.
Quais são os riscos ainda no radar?
Analistas seguem divididos sobre a formação de um fundo. O mercado ainda opera em fase corretiva, e parte dos indicadores on-chain aponta risco de bear market caso o suporte principal seja perdido.
Além disso, o desempenho recente das altcoins ocorre em um contexto de baixa participação ampla. Dados mostram que apenas uma pequena parcela dos projetos mantém ganhos consistentes, como já destacado no fraco desempenho das altcoins ao longo do ano.
Para investidores brasileiros, o recado é claro: o alívio reduz a pressão imediata, mas a confirmação de tendência depende da defesa dos suportes e da evolução do cenário macro. Enquanto isso, fevereiro traz um histórico positivo para o Bitcoin, com retorno médio de 14,3%, o que mantém a disputa entre consolidação e nova perna de queda em aberto.
Referências externas incluem análises sobre projeções de preço para fevereiro, dados de sentimento de mercado e níveis técnicos detalhados em comentários de análise gráfica.

