A BitMine Immersion, presidida por Tom Lee, enfrenta uma perda não realizada superior a US$ 6 bilhões após ampliar agressivamente sua posição em ether (ETH) pouco antes de uma forte correção do mercado. O ETH caiu para a região de US$ 2.300 em 1º de fevereiro, acumulando queda de 18,4% em sete dias e pressionando o balanço da companhia. O movimento ocorre em meio a um processo mais amplo de desalavancagem no mercado cripto, marcado por liquidações forçadas e queda de liquidez.
O recuo do Ethereum acompanhou a fraqueza generalizada dos ativos digitais, com o bitcoin (BTC) tocando US$ 75.200 e o mercado registrando cerca de US$ 2,5 bilhões em liquidações em 24h. Para investidores brasileiros, o impacto foi sentido nos pares em real, com o BTC/BRL caindo de R$ 415.500 em 31 de janeiro para R$ 404.594 em 2 de fevereiro. Esse ambiente elevou a volatilidade e reduziu o apetite por risco em exchanges locais.
O que aconteceu com a aposta da BitMine em Ethereum?
Na última semana de janeiro, a BitMine adicionou mais de 40.000 ETH ao seu caixa, elevando o total para aproximadamente 4,24 milhões de ETH, avaliados hoje em cerca de US$ 9,6 bilhões. No pico de outubro, esse mesmo volume chegou a valer quase US$ 14 bilhões, o que explica a perda no papel superior a US$ 6 bilhões. A estratégia expôs a empresa a oscilações bruscas em um momento de liquidez reduzida.
Parte dessa posição está em staking, com receita anual estimada em US$ 164 milhões, mas esse fluxo cobre menos de 3% da perda acumulada. O yield de staking varia conforme a atividade da rede e não compensa movimentos rápidos de preço. Métricas on-chain mostram aumento do supply de ETH em exchanges nos últimos dias, sinalizando pressão vendedora adicional.
Risco corporativo cresce em meio à desalavancagem
A queda foi amplificada pelo mercado de derivativos, onde liquidações automáticas aceleraram a descida dos preços. O RSI diário do ETH caiu para 28 pontos, entrando em território de sobrevenda, enquanto o MACD segue negativo desde meados de janeiro. Tecnicamente, o suporte imediato está em US$ 2.200, com resistência relevante em US$ 2.550, próxima à média móvel de 50 dias.
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Esse cenário também se conecta às recentes saídas dos ETFs de Ethereum, que reduziram a demanda institucional no curto prazo. Ainda assim, há players que mantêm uma visão institucional sobre o Ethereum mais construtiva para o longo prazo, apostando em fundamentos e adoção.
Como isso afeta investidores brasileiros?
Para o investidor no Brasil, o caso da BitMine reforça o risco de concentração e alavancagem excessiva em ciclos de baixa. Vendas forçadas de grandes detentores podem aumentar a oferta em exchanges e pressionar preços locais, afetando diretamente quem opera em real. Ao mesmo tempo, fundamentos como o impacto dos upgrades do Ethereum seguem relevantes para o horizonte de médio e longo prazo.
Tom Lee adotou um tom mais cauteloso para o início de 2026, alertando que o mercado ainda absorve a desalavancagem iniciada em outubro, quando cerca de US$ 19 bilhões em valor de mercado foram eliminados. O contraponto é que períodos de estresse costumam redefinir posicionamentos e criar pontos de entrada mais racionais. Para traders e investidores brasileiros, a leitura técnica e a gestão de risco seguem decisivas enquanto o ETH tenta consolidar uma base acima dos US$ 2.200.

