O bitcoin caiu com força na quinta-feira após crescerem as apostas de que Kevin Warsh pode assumir a presidência do Federal Reserve, movimento ainda não confirmado oficialmente. A maior criptomoeda do mercado despencou até a região de US$ 81.000, acumulando queda diária de 4,2% e ampliando a correção iniciada após o topo recente em US$ 93.000. O movimento ocorre em meio a um ambiente macro já sensível a juros altos e menor liquidez global.
No momento da apuração, o BTC era negociado a US$ 87.977, cerca de 5,4% abaixo do fechamento semanal, refletindo o aumento da aversão a risco. Para investidores brasileiros, isso significa um preço ao redor de R$ 456.000 por unidade, pressionando estratégias de curto prazo e aumentando a cautela com alavancagem.
Por que Kevin Warsh é visto como um fator baixista?
Kevin Warsh integrou o conselho do Fed entre 2006 e 2011 e construiu reputação de postura hawkish, priorizando o combate à inflação mesmo em cenários de desaceleração econômica. Em termos práticos, isso significa juros reais mais altos, ou seja, taxas de juros descontadas da inflação, que encarecem o crédito e reduzem o apetite por ativos de risco como o bitcoin.
Esse histórico contrasta com a narrativa pró-cortes defendida por Donald Trump, que pressiona por juros na faixa de 1%, ante o intervalo atual de 3,5% a 3,7%. O mercado interpreta essa possível divergência como negativa para cripto, reforçando leituras recentes sobre o impacto do Fed no BTC em ciclos de aperto monetário.
Bitcoin testa suportes enquanto indicadores seguem frágeis
No gráfico diário, o BTC opera dentro de um canal de baixa desde 13 de janeiro, com suporte crítico entre US$ 84.000 e US$ 86.000, região que coincide com a média móvel de 720 dias. Uma perda consistente desse nível abre espaço para reteste dos US$ 81.000, mínima recente.
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O RSI de 14 dias está em 38 pontos, sinalizando momentum enfraquecido, mas ainda fora de sobrevenda extrema. Já o MACD segue negativo, com histograma em expansão, indicando que a pressão vendedora ainda domina o curto prazo.
O que os dados on-chain revelam sobre o risco?
Apesar da queda, dados on-chain mostram que grandes investidores aproveitaram a correção. Baleias acumularam cerca de 110.000 BTC na faixa entre US$ 84.000 e US$ 86.000, sugerindo defesa desse suporte no curto prazo.
Ao mesmo tempo, o supply de bitcoin em exchanges segue em mínima desde 2022, reduzindo a pressão estrutural de venda. O Índice Medo & Ganância está em 29 pontos, em zona de “fear”, com apenas 50% de dias positivos nos últimos 30 dias e volatilidade média de 2,76%.
Risco imediato ou exagero do mercado?
Um contraponto importante é que a nomeação de Warsh ainda não está confirmada, e Trump pode optar por um nome mais alinhado à sua agenda expansionista. Além disso, qualquer sinal de desaceleração econômica mais forte nos EUA pode forçar o Fed a suavizar o discurso, como já visto em outros ciclos analisados em debates sobre política do Fed e Bitcoin.
No curto prazo, o bitcoin permanece vulnerável a manchetes macro, mas a defesa do suporte entre US$ 84.000 e US$ 86.000 será decisiva. Para investidores brasileiros, o cenário pede gestão de risco rigorosa, evitando excesso de alavancagem enquanto o mercado tenta digerir o possível retorno de um Fed mais duro.

