O mercado de criptomoedas começou a semana sob pressão. A escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa, somada à retomada de discursos protecionistas por parte do governo americano, reduziu o apetite por risco e provocou uma correção relevante nos principais criptoativos. Nesta terça-feira (20), o preço do Bitcoin operava em queda expressiva, refletindo preocupações com a disputa envolvendo a Groenlândia e a possibilidade de novas tarifas comerciais. O cenário reforçou o movimento global de aversão ao risco, que já vinha se desenhando em outros mercados.
Na avaliação do banco Jefferies, o aumento das fricções políticas entre EUA e Europa tende a elevar a volatilidade dos ativos de risco, incluindo as criptomoedas. Mesmo que um acordo relacionado à Groenlândia seja alcançado, o banco avalia que o processo deve ser longo e marcado por períodos recorrentes de instabilidade. Na mesma linha, Gracy Chen, CEO da Bitget, afirma que a reativação das tensões tarifárias atua como um choque macroeconômico para os mercados. Segundo ela, em ambientes de incerteza política, investidores tendem a reduzir exposição a ativos voláteis apesar da narrativa do Bitcoin como “ouro digital”. Nesses momentos, a liquidez costuma migrar para ativos considerados mais defensivos.
Interesse institucional segue alto, apesar da correção recente
Mesmo diante do movimento de queda, o interesse institucional no setor permanece relevante. A Strategy anunciou a compra de 22.305 bitcoins por aproximadamente US$ 2,13 bilhões, elevando suas reservas para cerca de 709.715 unidades. As aquisições foram financiadas por meio do programa de oferta de ações da empresa. Ainda assim, o mercado reagiu com cautela. As ações da Strategy caíram cerca de 7,4%, enquanto o Bitcoin recuava 3,6% no meio da tarde.
A Strategy ainda está comprando bitcoin porque parar seria um sinal para o mercado tão forte quanto comprar mais. Uma eventual pausa nas aquisições poderia ser interpretada como um reconhecimento de que o balanço da empresa não suporta uma queda prolongada nos preços do Bitcoin. Isso pressionaria as ações da Strategy e poderia afetar a confiança mais ampla no mercado cripto, dada a associação direta da companhia e de seu fundador, Michael Saylor, com o otimismo institucional em torno do ativo.
Como pano de fundo, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que o governo americano pretende incorporar bitcoins apreendidos à sua reserva estratégica de ativos digitais após a conclusão dos processos legais. O movimento reforça a percepção de avanço institucional no setor, mesmo em um ambiente de maior volatilidade.
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