O Bitcoin voltou a se estabilizar nesta sexta-feira (23) perto de US$ 89.000 após uma queda acentuada no início da semana, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A maior criptomoeda do mundo era negociada a US$ 89.100, com alta marginal de 0,4% nas últimas 24h, após ter tocado mínima de US$ 87.760 na terça-feira. O movimento ocorre enquanto ações globais recuam e investidores buscam proteção diante de tensões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia.
O que está por trás da consolidação do Bitcoin?
Em termos simples, o Bitcoin entrou em modo de espera após um sell-off técnico, acompanhando o chamado movimento risk-off que também atingiu ações e outras classes de ativos. Futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 acumulam queda de cerca de 2% desde o último domingo, sinalizando menor apetite por risco.
Esse cenário pesa especialmente sobre criptoativos, que sofrem com menor liquidez em momentos de estresse macro. Segundo a CoinGlass, mais de US$ 500 milhões em posições futuras de altcoins foram liquidadas em apenas 24h, amplificando a volatilidade fora do Bitcoin.
Indicadores técnicos mostram equilíbrio frágil
Do ponto de vista técnico, o BTC segue preso em uma faixa estreita entre US$ 89.000 e US$ 94.000, intervalo que se mantém desde o fim de novembro. No gráfico diário, o RSI está em torno de 44 pontos, indicando momentum neutro a levemente baixista, sem sinais claros de sobrevenda.
As médias móveis também refletem indecisão. O preço opera abaixo da média móvel de 50 dias, em US$ 92.300, que agora atua como resistência, enquanto o suporte imediato está na região de US$ 88.000. Uma perda consistente desse nível pode reabrir espaço para testes mais baixos, como visto na pressão abaixo de US$ 90 mil no início da semana.
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Fluxos institucionais e mineração aliviam — mas não resolvem
No campo institucional, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA continuam pressionando o mercado. De acordo com o MarketWatch, os produtos registraram mais de US$ 500 milhões em saídas recentes, o maior volume desde novembro. Na prática, isso reduz a demanda marginal por BTC no curto prazo.
Por outro lado, dados on-chain trazem algum alívio. A dificuldade de mineração caiu 2,6% no ajuste de 9 de janeiro, segundo a KuCoin, enquanto o hashrate recuou cerca de 2,1% na última semana. Isso reduz a pressão de venda dos mineradores, que costumam liquidar BTC para cobrir custos operacionais.
Quais os riscos para investidores brasileiros?
Para o investidor brasileiro, o cenário exige cautela. A combinação de dólar forte, fluxo negativo em ETFs e instabilidade macro pode manter o Bitcoin lateralizado por mais tempo, limitando oportunidades de rompimento no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a consolidação acima de US$ 88.000 mostra que compradores ainda defendem níveis-chave. Se o sentimento global melhorar e os fluxos institucionais se estabilizarem, o BTC pode tentar retomar a região de US$ 92.000 a US$ 94.000, mas o risco de novas quedas segue no radar.

