A BlackRock afirmou que o Ethereum deve liderar a tokenização de ativos do mundo real até 2026, mesmo com o preço do ETH negociando perto de US$ 3.000 e 40% abaixo do topo histórico. No mercado à vista, o ETH caiu 1,8% nas últimas 24h e acumula queda de 10% em 12 meses, apesar de entradas institucionais robustas via ETFs. O contraste reforça a divergência atual entre fundamentos on-chain fortes e ação de preço lateralizada no mercado cripto.
No gráfico diário, o Ethereum consolida entre US$ 2.850 e US$ 3.150 há três semanas, com RSI em 46 pontos — zona neutra que indica ausência de momentum direcional claro. O MACD segue próximo da linha zero, enquanto o preço permanece levemente abaixo da média móvel de 50 dias (US$ 3.080), sinalizando cautela de curto prazo. Ainda assim, a tese institucional mira um horizonte mais longo.
Por que a BlackRock segue confiante no Ethereum?
Segundo relatório de perspectiva temática da gestora, o Ethereum concentra 66% de todos os ativos tokenizados do mercado, contra apenas 10% da BNB Chain. Solana aparece com 5%, enquanto Arbitrum e Stellar somam 4% cada — números que mostram a vantagem estrutural do ecossistema Ethereum. Para investidores, isso importa porque redes dominantes tendem a capturar mais taxas, usuários e liquidez ao longo do tempo.
Jay Jacobs, chefe de ETFs de ações da BlackRock nos EUA, afirmou que o Ethereum “pode ser um dos principais beneficiários do crescimento da tokenização”. Na prática, isso significa que bancos e gestoras estão escolhendo o Ethereum como infraestrutura base, como já ocorreu quando o JPMorgan lançou seu primeiro fundo tokenizado de mercado monetário, segundo a DL News.
Demanda institucional via ETFs reduz oferta líquida
Os ETFs de Ethereum nos EUA continuam atraindo capital de forma consistente. Em dias recentes, as entradas líquidas chegaram a US$ 165,45 milhões, com o ETHA da BlackRock liderando com US$ 100,23 milhões em um único pregão, de acordo com a KuCoin. O fundo já ultrapassou US$ 4,8 bilhões em ativos sob gestão.
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Além disso, empresas de tesouraria cripto como a Bitmine compraram mais US$ 100 milhões em ETH, ampliando uma posição total avaliada em US$ 13 bilhões. Esse movimento reduz o supply disponível em exchanges — hoje abaixo de 12% do total circulante — fator historicamente associado a pressões de alta no médio prazo. Esse efeito se soma ao avanço do staking de Ethereum, que já bloqueia quase 29% do supply.
O que isso significa para investidores brasileiros?
Para o investidor brasileiro, a leitura é de assimetria temporal: curto prazo ainda dominado por consolidação e volatilidade, enquanto o médio prazo ganha suporte institucional. Com o ETH precificado em torno de US$ 3.000, o ativo encontra suporte técnico relevante em US$ 2.800 e resistência forte em US$ 3.300 — um rompimento acima desse nível exigiria volume acima da média de 30 dias, hoje em US$ 18 bilhões.
Ao mesmo tempo, a tese da BlackRock se conecta a narrativas já acompanhadas no Brasil, como ETFs de Ethereum e o papel do ETH como infraestrutura financeira global. O risco permanece: se os fluxos institucionais desacelerarem ou o Bitcoin perder suportes-chave, o ETH pode testar novamente a faixa de US$ 2.500.
Em síntese, o Ethereum enfrenta um paradoxo claro: preço travado, mas fundamentos se fortalecendo. Para quem investe no Brasil, entender essa divergência é essencial para calibrar expectativa, prazo e gestão de risco em um mercado cada vez mais influenciado por decisões institucionais globais.

