A Ink, rede Layer 2 apoiada pela Kraken, ultrapassou US$ 503 milhões em valor total bloqueado (TVL) em 6 de janeiro, segundo dados do setor. O salto ocorre após meses abaixo de US$ 10 milhões e consolida uma alta superior a 3.800% em poucas semanas. O movimento reflete a corrida por liquidez em soluções de segunda camada, que ganham espaço no DeFi em meio a taxas elevadas na rede Ethereum.
Apesar do crescimento do TVL, a atividade diária de usuários caiu de 157 mil em março de 2025 para cerca de 49 mil atualmente, um contraste que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do avanço. Para investidores brasileiros, o dado reforça a necessidade de separar crescimento de liquidez de adoção real. Em ciclos anteriores, essa divergência já antecipou períodos de consolidação em novos ecossistemas.
O desempenho da Ink se soma à expansão de outras L2s ligadas a grandes exchanges, como a Layer 2 da Coinbase, em um cenário de competição direta por capital DeFi e incentivos de rendimento.
O que está por trás do salto no TVL da Ink?
A maior parte do crescimento vem do protocolo de lending Tydro, responsável por US$ 446,6 milhões — mais de 97% do TVL total da rede. O Tydro é baseado na infraestrutura do Aave, o que reduz riscos técnicos iniciais e atrai liquidez institucional já familiarizada com o modelo. Segundo The Defiant, a integração em outubro foi o principal catalisador do movimento.
Em termos simples, TVL mede quanto capital está travado em contratos inteligentes e serve como proxy de confiança e uso econômico. Para traders, um TVL elevado tende a melhorar liquidez e reduzir slippage, mas não garante demanda orgânica se os incentivos forem temporários. Esse ponto é crucial para avaliar oportunidades de yield em novas L2s.
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Ink intensifica disputa no ecossistema Layer 2
A Ink é construída sobre o OP Stack da Optimism, integrando-se ao chamado Superchain, que busca padronizar e escalar múltiplas L2s. Esse modelo coloca a rede da Kraken em competição direta com Base e Blast, que também atraem bilhões em TVL via incentivos agressivos. O avanço reforça a tendência de exchanges centralizadas criarem infraestruturas próprias para capturar valor on-chain.
Esse cenário também traz riscos. Casos recentes de falhas e ataques em protocolos DeFi de segunda camada mostram que liquidez concentrada pode amplificar perdas, como já discutido em análises sobre segurança em Layer 2. Para o investidor brasileiro, a diversificação entre redes e protocolos segue sendo uma defesa básica.
Token INK: oportunidade ou narrativa futura?
O token INK terá supply fixo de 1 bilhão de unidades e um airdrop planejado, mas não terá função de governança do rollup. De acordo com a CoinDesk, o foco inicial será incentivar liquidez, não controle da rede.
Isso limita o potencial especulativo no curto prazo, mas reduz riscos regulatórios e de captura de governança. O mercado tende a precificar o INK mais como token de incentivo do que como ativo de fluxo de caixa. Para quem busca exposição, o risco está em entrar cedo demais antes de métricas claras de uso sustentável.
Em síntese, o marco de US$ 500 milhões em TVL coloca a Ink no radar do DeFi global, mas a queda de usuários ativos exige cautela. O próximo trimestre será decisivo para saber se a rede consolida adoção real ou se o capital migra quando os incentivos diminuírem.

