Relatos de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, reacenderam o debate sobre a independência do banco central dos EUA e seu impacto nos mercados. Em resposta, o Bitcoin (BTC) subiu 0,85% nas últimas 24 horas, negociado a US$ 91.420, enquanto futuros do S&P 500 e Nasdaq recuaram entre 0,4% e 0,7%. O movimento ocorre em um ambiente de maior aversão ao risco, com ouro atingindo recorde histórico de US$ 4.600 por onça.
Para investidores brasileiros, o contraste chama atenção: enquanto ativos tradicionais sofrem com incerteza política, o BTC mostra resiliência e reforça sua narrativa de ativo não soberano. Esse “desacoplamento” parcial ganha relevância em um momento em que o câmbio e os juros globais seguem pressionados.
O que está por trás da investigação e por que importa?
O Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação sobre declarações de Powell ao Senado a respeito de reformas em prédios do Fed. Segundo a Reuters, o episódio elevou o VIX e aumentou a percepção de risco institucional nos EUA.
Na prática, o mercado passa a precificar a possibilidade de interferência política na política monetária. Para o Bitcoin, isso importa porque sua oferta é fixa em 21 milhões de unidades e não depende de decisões de governos ou bancos centrais, característica que tende a atrair demanda em cenários de estresse institucional.
Bitcoin absorve prêmio de risco enquanto ações recuam
Analistas da Bitunix afirmam que a incerteza em torno do Fed pode introduzir um “prêmio de risco” no preço do BTC. No curto prazo, isso se traduz em maior demanda relativa quando ações corrigem, como observado no pregão em que o Bitcoin subiu 0,7% enquanto os índices americanos caíam.
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
Do ponto de vista técnico, o BTC mantém suporte relevante em US$ 90.000, com resistência imediata em US$ 93.500. O RSI diário está em 54 pontos, indicando força neutra, enquanto o MACD segue positivo, mas com histograma perdendo inclinação — sinal de consolidação, não de reversão.
No front institucional, os ETFs de Bitcoin ainda concentram mais de US$ 65 bilhões em ativos sob gestão, segundo dados compilados até 2025. Esse estoque cria uma base estrutural de demanda que amplifica qualquer mudança de narrativa macro.
Como isso afeta investidores brasileiros?
Para quem investe a partir do Brasil, o cenário tem duas implicações diretas. A primeira é cambial: maior estresse nos EUA tende a enfraquecer o dólar no curto prazo, impactando o preço do BTC em reais. A segunda é estratégica, pois reforça o papel do Bitcoin como diversificador em carteiras expostas a risco local e global.
Dados da Nansen mostram que “smart money” segue cauteloso, com posição líquida vendida de US$ 127 milhões em BTC, apesar da melhora gradual no sentimento. Isso sugere volatilidade no curto prazo, mesmo com a narrativa de longo prazo favorável.
Em síntese, a investigação contra Powell não garante alta imediata, mas adiciona uma camada de prêmio de risco ao Bitcoin. Se a credibilidade do Fed continuar em xeque, o BTC tende a se beneficiar como ativo não soberano — um ponto que investidores brasileiros devem acompanhar de perto nas próximas semanas.

