O mercado cripto entrou em uma fase que analistas já chamam de “mercado de Ethereum”, após a razão ETH/BTC atingir um fundo técnico em abril e iniciar recuperação consistente. O ETH opera em US$ 3.480, alta de 2,1% nas últimas 24h e 18,4% em 7 dias, enquanto o Bitcoin sobe 0,6% no mesmo período. O movimento ocorre em meio a forte rotação institucional, com ETFs de Ethereum atraindo capital em ritmo superior ao dos produtos de BTC.
A leitura ganha peso porque o ETH já acumula valorização de cerca de 70% desde junho, contra apenas 9% do BTC no mesmo intervalo. Para investidores brasileiros, isso muda o jogo ao abrir espaço para estratégias de outperform via ETH, inclusive com exposição indireta por ETFs globais e staking.
No pano de fundo, o mercado observa uma transição estrutural: mais uso do Ethereum como infraestrutura financeira, crescimento de ativos tokenizados e maior participação institucional no supply do ativo.
Por que a razão ETH/BTC virou o indicador do momento?
A razão ETH/BTC mede o desempenho relativo do Ethereum frente ao Bitcoin, eliminando o efeito do dólar. Segundo o analista Michaël van de Poppe, o par encontrou fundo em 0,017 em abril e espelha o ciclo de 2019, quando o ETH iniciou um longo período de valorização relativa.
Atualmente, a razão negocia em torno de 0,034, após ter alcançado 0,043 em agosto antes da correção de mercado em outubro. Tecnicamente, o RSI semanal do par subiu para 56, saindo de zona de sobrevenda, enquanto o MACD virou positivo em junho, sinalizando mudança de tendência.
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Esse movimento importa porque historicamente períodos de alta do ETH/BTC coincidem com melhor desempenho das altcoins. Para o investidor brasileiro, isso sugere que a simples exposição a BTC pode não capturar todo o potencial do ciclo atual.
Fluxos institucionais e uso real sustentam o Ethereum
Os dados de ETFs reforçam a tese. Em uma única semana recente, ETFs de Ethereum captaram US$ 1,85 bilhão, contra apenas US$ 72 milhões dos ETFs de Bitcoin, de acordo com Blockchain.news.
O volume spot semanal do ETH também chamou atenção: US$ 25,7 bilhões, superando os US$ 24,4 bilhões do BTC pela primeira vez em 2025. Esse aumento de liquidez ocorre em paralelo ao crescimento do uso do Ethereum como camada de liquidação, tema já abordado em análises sobre BlackRock e Ethereum.
No on-chain, a oferta de stablecoins na rede Ethereum cresceu mais de 65% em 2025 e já soma US$ 163,9 bilhões em market cap, com a USDT respondendo por cerca de 52%. Só no quarto trimestre de 2024, a rede processou US$ 8 trilhões em transferências de stablecoins, segundo Token Terminal.
Quais os riscos para quem aposta nessa rotação?
Apesar do cenário construtivo, o ETH enfrenta resistências técnicas importantes em US$ 3.650 e US$ 3.900. Um rompimento malsucedido pode levar o preço a testar o suporte imediato em US$ 3.200, onde passa a média móvel de 100 dias.
Além disso, parte da demanda institucional depende da continuidade dos fluxos para ETFs. Episódios recentes de saídas, como já ocorreu em produtos de cripto, mostram que essa fonte de liquidez pode ser volátil, como visto em movimentos anteriores dos ETFs de Ethereum.
No balanço, os dados indicam que o Ethereum ganhou tração estrutural em 2025, apoiado por uso real, métricas on-chain sólidas e capital institucional. Para investidores brasileiros, o momento exige equilíbrio: entender a rotação em curso, mas respeitar níveis técnicos e a volatilidade inerente ao mercado cripto.

